quinta-feira, 30 de julho de 2015

Intermitente e condutor

É comum o que sinto ter uma expressão traduzível em palavras. E eu decido. Se guardo. Se digo. Se escrevo. Me faltar palavras é incomum, já percebi isso. Mas aqui, apenas das arestas consigo falar. Dos arredores. De consequências. E do antes. Mas daquilo que, em si, movimenta o pensamento desafiado, nada. Isso me provocou o dia inteiro. “Como, nada?”. As necessidades do dia a dia vieram como sempre, e me distraíram. E me exigiram. E tudo correu bem. Mais um dia. Só que os intervalos... aqueles minutos que todos os dias temos, e às vezes não nos damos conta, foram cuidadosamente dedicados a pensar... - Não... não a pensar - ... a lembrar. A lembrar das sensações e percepções, estranhamente vividas. Inusitadamente sentidas... tidas e não tidas, ao mesmo tempo. Numa relatividade de quebrar a cabeça. Por isso, talvez, não tenha pensado... só lembrado. Revirou por dentro, me deixou feliz. Principalmente quando me dei conta... aquilo que eu queria expressar de alguma forma, já guardava sua expressão própria, que é silêncio.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estranho (Se não o fosse...)



Vento, traz sementes..
passa, passageiro.

Passa Passageiro!
Tenta, novamente... arar.

Lento, vais somente...
navega, navegante.

Navega Navegante!
Venta, novamente... o mar.

Arrefece o frio, com calor,
em silencioso incêndio.
Estranho, se não o fosse...

Arrecife frio, de calor.
em audacioso naufrágio.
Estranho, se não o fosse...


Ele. O amor.


terça-feira, 14 de abril de 2015

O que queres?

Quero tua alma embebida nesse líquido nosso. Porém, lúcida.
Não quero o efêmero das palavras, mas os sussurros daquilo que não o seja.
Quero que fiques, e nos percamos juntos. 
E percamos, sim, nossos corpos, se isso significar a liberdade das almas. 
Não quero que sejas minha.
Mas que escolhas ser, comigo. 
Eu reviro, eu reinvento, eu refaço.
O que posso eu querer, senão apenas que sejas? Comigo, aquilo que já é.