segunda-feira, 7 de junho de 2010

Errata



. Pelo início. O elo concebido, na possibilidade inexistente. O belo que se insistiu, antes de existir. Abstrair foi trair a si próprio. Por mais verdade que se tenha feito, dito, pensado, sentido, o espírito residiu em abstração. À tração abstrata de um engano. Pela vontade do que se quis, imaginando. “Ideologia, eu quero uma pra viver”. O agora não me bastava. A razão não me algemou. E foi, por uma certa inocência errada. Aliciado por um fetiche. O conto de Alice guarda em si uma febre que a tudo manipula. Desencadeia. Em cadeia. E prende. A perfeição foi iludir-se. Ludibriar-se, feito o bêbado que dobra a esquina reta. “E quando eu jurei meu amor, eu traí a mim mesmo”. Perjúrio. Pela ausência da realidade. Dos olhos, que falharam, em tentar alcançar algo nunca visto e fora do campo de visão. E o típico visionário, amadurece. Nada resta. Se resto são migalhas. Mas se ganha. Pela excessiva sinceridade que tantos temem. Que tantos tremem, por julgá-la inconveniente. Ela compensa, por ser crua. Por desnudar. E não é cruel. A crueldade residiu em consequência da repressão do real que se apresentou, pela fantasia que se almeijava. E isso não foi amar. Foi egoísmo.


2 comentários:

Ângela Calou disse...

Vendi a idéia do amor que comprei há uns anos num desses mercados daqui de Juazeiro...dois quarteirões de arrependimento depois, quis de volta a minha idéia que era minha sendo de quase todos,mas num lugar como aquele, limbo vivo no meio da cidade,a venda seria jamais desfeita...restava comprar outra? Ah talvez, mas com pouco dinheiro, muita pressa e nenhuma crença, entendi que sua pertença não era minha...

seus textos sobre isso me conduzem invariavelmente à reflexão, Rafa, adoro lê-los.

(p.s.: à beira de concordância com a Cristina sobre certa teoria...)

Rafael sem h disse...

; ) Olá srta!

Realmente pra pegar de volta no
mercado fica complicado...rsrs...mas se você vendeu, saiu no lucro. Pois era idéia. Acredito que isso não pode ser uma idéia, pois sendo uma, nunca será o que se propõe a ser.
Sentimentos são por si só. Existem entre nós e em cada um...naquele "mesclado"...

Hummm ...a teoria dela já venceu faz tempo! Tá lá pelo mercado também...(mas acho que vale pro carnaval, micaretas, expocratos e afins...)

Um bjin pra ti "dos corredores".