sábado, 19 de junho de 2010

O teu nome



Roda a lua em samba de roda
Se consuma, sem consumo
Improviso e preciso,
Devagar e urgente.

A gente se perde,
por dentro de uma estrela
A gente fica, a gente segue,
no silêncio que ampara o amor.

Somos da noite,
do sereno.
Do dia,
por inteiro.

Das metades núbeis.
Me encontras,
e te conheces.
Verso. Sem vício.

Som imaginário,

(.................)Gritos e sussurros são cores.

E o tempo,

(.................)é delicadeza.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Metricô de Retoricalhos



Ecos que refletem sob o mesmo som repetido. Repedido, reperdido, na constância. Repercutindo, repercurtindo, em batidas diferentes. São dúvidas insolventes que profanam a calmaria alheia. O que queres aqui, Retórica?
Não serves, quando és eco de um self atormentado. Ansioso em convencer os outros pela incapacidade estampada na ausência do convencimento de si mesmo.
É do mesmo modo como não me serve a métrica. Quando quem dela se serve, servo dela é.


Gong

Gong Perfomance

Psicodelia, jazz rock, progressivo de altíssima qualidade, são algumas das tags que podem ser tranquilamente aplicadas ao Gong. Estamos falando de uma pérola de banda, onde a versatilidade, a criatividade, e a complexidade sonora são traços marcantes. São músicos de primeira. E uma grande banda sempre tem uma grande (e bela) história. Vamos lá que vale a pena... : )

O Gong foi formado em 1967, graças a um problema no visto do mentor da banda Daevid Allen, que acabou ficando na França onde viria a constituir a primeira formação do grupo com Gilli Smith, que mais tarde se tornaria sua futura esposa. Por causa da revolução estudantil em 1968, o casal se viu obrigado a migrar pra algum lugar. Espanha foi a escolha. E lá, Deus sabe como, conheceram o saxofonista Didier Malherbe (Detalhe: O cara morava em Deya, numa...Caverna!! rsrs).

Daevid Allen

E assim o Gong foi indo...desenvolvendo. Várias bandas foram formadas a partir de ex membros do Gong, inclusive pelo próprio Allen que na década de 70 caiu fora do projeto, provavelmente devido a desavenças musicais (mais tarde ele retornaria). Planet Gong, Mother Gong, Here and Now, Gongzilla, são bandas derivadas do Gong original. Allen se refere ao conjunto de todas como Gong Global Family.
A discografia é imensa e chega até 2009 com o disco 2032. Naturalmente, uma banda que vem de 1969 até 2009 passou por várias fases, algumas mais psicodélicas, outras mais pro jazz/fusion, chegando até a flertar com os elementos eletrônicos. O massa é que: Todas as fases são f.....!!!, o que é difícil numa banda.

Sendo assim, não tem como falar de um disco só. Pra um primeiro contato disponibilizo o Anthology: 1969 - 1971 , o expresso II (1978) e o shapeshifter (1992), que são bem diferentes entre si. (Clique nos albuns pro Down!!). Falo sem medo: Não dou nota pra esses discos. Gong é uma banda nota 10!!


Espero que vocês curtam!

Drugstore



Rock alternativo/indie/ e de bom gosto. Eu não poderia deixar de indicar essa banda, especialmente o disco White magic for lovers (Clique pro down!!), de 1998. A participação de Tom York (Radiohead) na faixa "el president" deve deixá-los no mínimo curiosos pra escutar o trabalho. Fora isso, mais curiosidade: a banda é inglesa e tem uma brasileira nos vocais. Isabel Monteiro (que cá pra nós se garante!) é o nome da voz doce e harmoniosa que dá a cara do Drugstore e saiu do Brasil na década de 90 pra tentar desenrolar a vida no exterior.
As composiçoes são inteligentes e as melodias bem trampadas e gostosas de ouvir. Dá pra perceber que houve muita dedicação e empenho dos músicos e isso deixa o disco bem peculiar e interessante. Notinha 9, de 10, pra ele. (num foi a toa que o York resolveu participar, e tipo...num belíssimo duo com Isabel. Vale a pena conferir!)


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Errata



. Pelo início. O elo concebido, na possibilidade inexistente. O belo que se insistiu, antes de existir. Abstrair foi trair a si próprio. Por mais verdade que se tenha feito, dito, pensado, sentido, o espírito residiu em abstração. À tração abstrata de um engano. Pela vontade do que se quis, imaginando. “Ideologia, eu quero uma pra viver”. O agora não me bastava. A razão não me algemou. E foi, por uma certa inocência errada. Aliciado por um fetiche. O conto de Alice guarda em si uma febre que a tudo manipula. Desencadeia. Em cadeia. E prende. A perfeição foi iludir-se. Ludibriar-se, feito o bêbado que dobra a esquina reta. “E quando eu jurei meu amor, eu traí a mim mesmo”. Perjúrio. Pela ausência da realidade. Dos olhos, que falharam, em tentar alcançar algo nunca visto e fora do campo de visão. E o típico visionário, amadurece. Nada resta. Se resto são migalhas. Mas se ganha. Pela excessiva sinceridade que tantos temem. Que tantos tremem, por julgá-la inconveniente. Ela compensa, por ser crua. Por desnudar. E não é cruel. A crueldade residiu em consequência da repressão do real que se apresentou, pela fantasia que se almeijava. E isso não foi amar. Foi egoísmo.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Emily. Por ela, por mim, por nós.


Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha.

Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for...

Quando o que é - e o que já foi -
lado a lado - Intrínsecos - permanecerem -
E o Drama efêmero do corpo - feito Areia -
escoar...

Quando as Faces Fidalgas se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se...

Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!

* Título original: Of all the Souls that stand create - by Emily Dickinson
Obs: Este poema foi traduzido e modificado por mim, conforme absorvi melhor o seu entendimento.



Photo: Wild nights - By Emily Dickinson (manuscript).