domingo, 25 de abril de 2010

A menina e o amor


Na semeadura,
do ego e do falso,
constrói-se armadura,
e no frio, tem-se o encalço

Na semeadura,
do verdadeiro amor,
o sentir se apura,
pelo tempo que for...



Já não peço que se explique,
em verso, crônica ou prosa,
Sentir, por si só, já existe,
e ao invisível, não se dosa.

No futuro que não se baste,
é pelo presente que vamos:
Semeei,
Semeaste,
Semea(ma)mos.


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sorver - te



Ela se diz: "uma torta de menina que gosta de comer palavras saborosas... com gostinho de blueberry".

Ela diz de mim: "um garotinho pequeno que cresceu ao redor do sabor que exalas. Um cheiro de doce quente que irradia, que mais apura quando acompanhado do molho do teu sorriso, folheado no granulado daqueles pequenos silêncios. Cachinhos de massinha comestível. Beijos de suspiro".

E eu digo, dela: Menininha integral, realçada em seu açucar mascavo. Um tiquinho de sal, ao ponto de um contraste irresistível. A primeira mordida, do primeiro pão de queijo, ainda quentinho no pacote. Queijo que se espalha levando um sabor diferente a cada canto da língua. Beijos que derretem.





Amor é esse. Que fica...

...mesmo assim. Quando a gente passa...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Entre aves e mamíferos



Sim, eu quero!
Alguns já me disseram que isso significa aceitar um "modelo".
E se enquadrar num padrão "idealizado", portanto, irreal.
"Quando eu ju
rei meu amor eu traí a mim mesmo".
Já ouvi dessas,
e de outras...
Mas continuo querendo! O amor não precisa ser jurado.
E não o é.
Ele é solto, e solta, e voa.
E quero, porque já vivi o "b-side".
A gente depois percebe que os dois lados são igualmente idealizados,
e ambos são um mesmo disco.
Falta de compromisso,
porres,
e devaneios...
Aplicados numa forma libertina de pensar
(que assim, pensava-se livre),
já me foram paradigmas. E o amor?
Nesse tempo era algo idiota, ignorante, mágica pra iludir-se.
Transmutar não foi tão simples. E nunca é.
Incomoda o pisar, como sempre se pisou.
Realçando os contrastes, vi que o "lado b" era...
ou melhor, sequer era...
perspectiva.
Então continuo querendo,
o que resolvi querer.

Decepções acontecem. Com muitas faixas,
de muitos discos,
de vynil.

Sábios pinguins!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

É no vinho, que ando morrendo...de viver



Prisma e Profano. Prazer e Prece.

Vim, o verde. Sede, e serdes...
Tinto. Da tintura da pele nossa.
Suave. No que torna-me doce. Teu suor.
Branco. Do pano de fundo por preencher.
Naquilo. Sendo por si só. Seco.
Suspeito dos suspiros que venho... Do vinho.

Suspeito que o vinho não é só vinho. É sozinho.
Porque (trans)parece solidão.
A de um líquido embebido, no co(r)po (pro)fundo da boca.
Que é como uma segunda taça. Orgânica.
Orgástica. Que de vez em quando pensa.
E por consequência morre. Morre na cor do vinho.
Mas volta no cor-ação.



*por Tamires. Escrito que me inspirou.

*por mim. Escrito pra completar...Tamires.

sábado, 3 de abril de 2010

PaZ (não se) coa



Tese. Antitese. É curioso gostarmos de funcionar assim. Feito uma pilha. Com dois pólos. Positivo e negativo.
A vida e a morte. O colorido e o incolor. O amor e o ódio.
Oscilamo-nos entre extremos, buscando o centro.
Sem percebermos que o centro pode estar...
do lado de fora da pilha.

Restringimo-nos, quando da nossa polarização.
E talvez, isso aconteça por ser mais "fácil" pra nós.
Às vezes, olhamos os outros.
E não necessariamente falo de pessoas conhecidas.
Nessas vezes, olhamos e sentimos...
Medo por alguns. Vergonha por outros. Reprovação.
De algo lá.
Ou carinho. Simpatia. Bem. De observar algo no outro.
Polarizamos, conforme nossa conveniência.
A conveniência onde nosso ego está melhor.
Massageado.

É fácil compreender. Entretanto, por ser difícil aceitar,
a compreensão torna-se igualmente difícil.
O entendimento de que o sentimento pelo outro,
expõe nossa relação mais íntima.
Conosco.
Com nossa sombra.

Preferimos nos enganar.
É dura demais ter a percepção de que somos um.
Com nosso organismo. Com o outro. Com o meio.
Visível ou não.
Não há o outro. Há o eu, no outro. E o outro, em mim.
O eu, ali. E o ali, aqui. Ambos, sendo um.

Pense ao sentir algo.
Ao deixar-se desencadear pelo que o outro te faz sentir.
Vais perceber, se quiseres. Que julgar o outro,
é recair o olhar sobre si mesmo.
Sobre o "outro". Que há em nós.

"Não julgueis para que não sejais julgado".
Por ti mesmo.




* Lendo e indicando: A doença como caminho - Dethlefsen, Rudiger.