terça-feira, 30 de março de 2010

Coraline



Ah Coraline...
Há cor ali!
Mas ninguém percebe,
a cor ali, ?

Não se notava. Nem o pai, nem a mãe.
Eles criavam um filho chamado trabalho. O primogênito.
Não se notava. Nem os amigos, ou os vizinhos.
Eles mal acertavam seu nome!

Talvez o gato. Talvez o gato notasse (e ele notava).
Mas ela não percebia. Não conseguia captar.
Afinal, mal acertavam seu nome.
E o gato, coitado, não falava (até então) pra mostrar o que sabia.

"Caroline". Era assim que prestavam atenção a ela.
Desse jeito rosa e irritante, que não era dela!
E de sobremesa, o tédio.
A ausência de uma voz qualquer que a preenchesse,
de fora pra dentro.

Como uma casa habitada por tanta gente poderia ser tão...vazia? A cor ali era um lamento...

A aranha percebeu isso.
E não tardou em mostrar que percebeu.
O quanto Coraline era especial. No brilho. Dos olhos que são cor, que são linha, que são caros - Pensava a aranha com seus botões (literalmente).

A menininha do cabelo azul perdeu a noção que dentro de si tinha tudo o que precisava para mudar. Deixou-se decantar pelos olhos dos teares. Que enxergavam por ela, aquilo que mais desejava. Que mentíam pra ela, e a deixavam feliz.
Num mundo repleto de sabores, mágicas e cores.
Numa vida paralela, onde os limites eram seus anseios e sua imaginação.
Num corpo cuidadosamente costurado,
cuja alma não passava de pó, poeira e solidão.

A cor ali...
Se ninguém percebia, o que importava?
Ah... Coraline não precisava ser percebida.
Precisava ser sentida. Se sentir. Viva. Forte. Azul.

Um azul capaz de derreter o mundo de faz de conta,
e desmanchar os botões que quiseram lhe tomar o sopro.

sábado, 27 de março de 2010

Dedo na ferida



Escuro, em si próprio... mas és cura, pra si mesmo.
De que vale camuflar-se inventando personagens?
Se auto-afirmando através deles e arfimando-se beleza aos olhos do outro, quando na realidade não existe tal beleza?
Esqueces que fazendo-se passar, vai passando a vida, diante de ti. E diante de ti, esqueces de viver.
Basta de falso moralismo. Reconhecer-se é o primeiro passo pra se conhecer. A humildade, meu caro, não é falada. É calada.
Não ponha a culpa no costume de ter sempre aquilo que se quis. Nem se faça de vítima por qualquer outro motivo. Não continue mudo diante de si. Mude! Compreenda que o outro não é algo que está a venda em prateleiras. O outro se doa, sem doer.
Repense. De que te valem os personagens que aguçam o teu ego? Eles te tornam aquilo que você sempre quis ser? Ou te tornam o que o outro queria que você fosse? Isso machuca, sabia?
O fato é que teus personagens te tornam numa mentira. Tão mentirosa, que vira verdade.
Enganas, e enganas a ti mesmo. Antes do que ao outro. Desenganar-se é tão difícil assim?
Preferes mesmo uma sensação falsa de ser, iludindo o outro, e nunca se mostrar (a você mesmo) o que se é?
Te imagino na solidão, entre quatro paredes e amigos invisíveis. No momento onde a realidade se mostra, mesmo que você não a queira.
O que você sente? Tristeza por ela ou alegria por ser hora de dormir?
Tua essência é boa. Eu acredito. Eu sinto. Mas teu excesso anda te consumindo. E ele pode consumir a essência da tua bondade. Basta um trato. Se trate! Retrate.
Chega de retratos, de fantoches. E desses fetiches de magoar...
Meias verdades + Meias mentiras = uma mentira inteira.
É isso que você quer ser quando crescer?

quinta-feira, 25 de março de 2010

Enigma



A pele derrete,
feito aquilo que há por fora.
Se esvai,
deteriora.

É apenas um teste,
daquilo que dentro mora.
Se sai,
aflora.

Burla a gravidade.

E se vamos,
não somente perdura.

Vai-se a idade.

Passam anos,
e não finda a ternura.

terça-feira, 23 de março de 2010

Olhos

Não há livros que os caibam...

E eu silencio, na enseada.

Na foto, peça.
No tempo, cessa.

Um fio, sem meada

Quando os olhos falam...


*Foto: Sebastião Salgado - Exodos (2000).

terça-feira, 16 de março de 2010

Vestiaires



Quando se tem,
e não se ama,

...à sombra, carrega a compreensão de,

quando se ama,
e não se tem...



Quando se ama,
e não se tem,

...à luz, carrega a compreensão de,

saber amar,
quando se ter...

.

domingo, 14 de março de 2010

A(r)mar



I

Sem ar.

Com armas de,
Amar.

Derrama,
A lama.
Desterra,
A alma,

Se arma,
e não ama.

Sem ar.


II


Com ar...

Ar(o)mas de,
Amar.

Não fere,
sentidos.
Infere,
sentidos.

Se ama,
e não arma,

Com ar...

Sem ter,
dor,
Ou odor,
Outdoor:



III

O vi dali.

De mansinho,
Sem passar,
Passarinho, voa.

A vida ali.

Transcrita em livro,
Escrita livre. Louve,
Pelo que houve. Pelo que há.

Há vida ali.

Não há,
Armas de lama,
se tu,
Amas de alma.


quinta-feira, 11 de março de 2010

Amor, ao mar

Com paixão…

Atônita,
Platônica,

Dele… quis apenas,

um tom,
um tônico,

E dele… teve a pena,

o ator,
sem platô,

a compaixão…

...de um amor marinheiro,
de ondas, de enjôo, de enfado,
balançava ao mar para sempre,
à sorte, um jogo de dados

...de um amor navegante,
em um silêncio que fala,
e a ela, andarilha errante,
sussurrava, morrendo na praia,

...de um amor à deriva,
lampejo de um coração,
naquele, que ele deriva,
não houve dissolução,

...já bastava de ser derradeiro,
recolheu a âncora de amar,
sem esperar novo janeiro,
Amar, navegante… o mar!!

...pois saber que se doa,
e doar que se pensa,
é pensar que se sabe,
Amar. E isso, não o era.



A mar(é) (d)a música contínua. E isso, é o que respira...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Alicéteras e (le)tal...

Sobre...



...alguma,



Alice.



Que não,



sobrou...