quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Maculelê




"O maculelê é uma dança de origem Afro-indígena, pois foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com alguma coisa da cultura dos índios que aqui já viviam.Os africanos diziam que esta dança era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro". Ou seja, contra a hipocrisia.
(Veja mais em: http://www.rosanevolpatto.trd.br/maculele11.html )

(...)

Certo dia (em dias errados), uma lésbica falava numa mesa de bar: - ...além disso, escolhi ser assim porque os homens são todos iguais. É uma questão de princípios. São todos safados e cafajestes. Cafajeste é com G ou J?..." Finalizou sorrindo. A namoradinha dela ouvia aquilo com orgulho (decerto havia de estar orgulhosa por não namorar um homem). Até que olhou as horas e disse: "Nossa! tenho que ir galera! Falei pra minha mãe que dormiria em casa hoje e aquele lá é o último ônibus". Estratégias de fazê-la ficar foram pensadas, sem sucesso. Então, nossa "discursora" levantou-se num gesto gentil, e foi deixá-la na parada. Entre mãos dadas e sorrisos, a noite ficava pequena diante delas. Voltou após uns 15 min. Bebidas, conversas, despedidas de outros. Exatamente no momento em que os conhecidos relevantes se foram. Aconteceu. Ela. Outra garota. Outro beijo. Pensei sorrindo (logo após me ser cobrada a promessa de calar sobre aquilo) - ... e como fugiu rápido do curso do seu discurso... Não me contive e falei: - No caso, agora, você virou homem? Ela levou na brincadeira, respondendo num riso sem graça. Mas a face demonstrava o fato de não ter gostado daquilo.

Mas...o que tinha eu haver com aquilo? "Vá cuidar de sua vida, diz o dito popular. Quem cuida da vida alheia, da sua não pode cuidar".

(...)

Ra².Carnaval. Aval da carne. O fato é que somos o samba enredo da vez. Afinal, alguma coisa tem que movimentar os carnavais alheios. Assim eles querem. E procuram, e gostam disso.
Julgar o que não se viveu é prática cotidiana. E julgar com os olhos aquilo que pelos olhos não pode ser julgado. "Sagacidade" fácil. Cada qual faz aquilo que quer do seu ócio. E falar dos outros é melhor do que falar de si. Hoje, particularmente, evito julgar. E posso dizer. Isso é difícil, para seres humanos que somos. Cegos, cada qual no seu castelo. Reinam soberanos, os sonhos que bem querem. Bobos, cada qual na sua corte. Riem, e desapercebem-se das suas ruínas. A tendência de ver a visão unilateral mais tola, medíocre e burra tem sua força. E é grande. Só não maior que nós mesmos, quando crescemos.
O desrespeito, a cobiça, a maldade, o premeditado. Tudo existiu, se existe aos olhos dos que julgam. "Vá cuidar de sua vida, diz o dito popular. Quem cuida da vida alheia, da sua não pode cuidar".

Não faço "trabalhos" de nenhuma espécie. Não ato, reato, ou desato pessoas. Nem eu, nem ela. Somos pessoas, não deuses. A circunstâncias, os contextos (sem pretextos) permitiam olhar diferente. E escolhemos olhar. No tempo e espaço certo. Abduzimo-nos. Olhem! Estamos de mãos dadas, com orgulho. Sem termos feito nada demais. O orgulho é por nós. E no mais: Maculelê!!

Um comentário:

Ane Lopes disse...

Hmm.. já vi muitas amigas minhas darem esse discursozinho e acabarem sendo tão safadas quando certos homens. Isso é conversa mole de quem não tem coragem de assumir que prefere algo diferente e ao mesmo tempo igual ao o que tem.
Falei demais, é bom mesmo falar dos outros ^.^

:*