quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E pousou...



Se longe, se perto. Te sinto, tão forte.
Num lounge, que é perto. Sucinto, que é norte.
Nem dele, nem dela, 
o belo, tão elo.
tão nosso.

Tão nosso, o belo. Que vem, devagar.
Divagar, a dois. Nessa beleza,
que bate,
e bate, 
e não dói.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Alice: The queen of hearts


A gula é um pecado, mas a de Alice coagulara já havia tempos. Era de uma felicidade sádica. Ali(ce). Incapaz de suportar o próprio corpo, sepultada na graça conquistada diante do espelho das próprias retinas. A lógica pelo caos, e que somente a ela tinha o efeito de liberar a química de rir.
Tantos a cuidavam. Nunca estava só. Mas era só. Foi ficando, devagarzinho, desde que aquilo começou. Não tinha lembranças do início, mas sabia que antes batalhava muito. O cheiro tentador dos alimentos pedidos pelo corpo era de uma constância... que horas Alice pensava em perder a guerra. Lutava. Lutou. Fez-se resistência. Até aquela tentação tornar-se gastura e repugnância. A partir de então foi fácil vencer. Fácil sair de Alice à Rainha de Copas. Fácil se manter rainha. 
E agora, logo agora, tantos traidores queríam destroná-la...Não! O orgulho era o maior escudo diante de si. Sempre foi. O orgulho, que eles chamavam de doença. O orgulho. Que ninguém, nem coisa alguma, poderia lhe tirar. E diante de si, era só o que imaginava. Alice, Rainha de Copas. Bela e magra. De corpo e alma.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Entre Dylan e Barrett

*Vídeo Anexo da parte I (Ver antes, de preferência).

I - Dylan (O tempo)

Hey Mr. Tambourine Man, eu falo pela areia que tu sopras e pela areia que tu prendes. Nas trevas do esquecimento e na luz das lembranças. Na inércia de qualquer coisa, na mágica dos sentidos. E daquele sentido. Sim. Que sentido algum, se faz.
Tu não tocas como homem. Tu és o tempo que toca. Que  brinca. Fazendo canções de areia.


Vídeo Anexo da parte II (Ver depois de ler, de preferência.)

II - Barrett (O Louco)

Hey Mr. Tambourine Man, lúcidos estão os que te seguem. Talvez por isso, talvez por ti, eles se deixem fazer canção. Eu vejo. Pois eu sou tal qual tu me fizeste. A canção que observa as canções.  Posso ouvir sobre os sentimentos deles, enquanto estou preso. E tu nos persegue. Quer te sigamos, ou não.
O tempo livre guarda uma liberdade corrompida pelo tempo. 
Essa que me prende a ser. Livre, numa ampulheta.

sábado, 6 de novembro de 2010

Ver-me



Um fio de mel, 
é o pus que jaz. 
Intocável é a beleza dos vermes, 
despida de (ul)trajes. 

Pálida nudez,
em segredo. 
Absoluto. Absolvente. 

Entre o sangue e silêncio, 
há silêncio e água. 
Feito num tropeço, 
tudo some. 

Abnega. Absurdo. 
O surdo, o mudo,
o talvez.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É difícil entender o Amor. Por que?


Porque tudo que entendemos, o fazemos pelo pensamento. 
O Amor não é pensamento. 
Quem pensa que ama, não ama.
Quem pensa que ama, sofre.
Julga o Amor, pelo Pensamento.
Culpa o Amor, sendo Pensamento.
Sofre. E faz os outros sofrerem. 
Amor é uma força. Tão forte, que nada força. 
Quem ama consegue. Concede. E cede. 
Pois em amar, se basta. 
O Amor não respeita o tempo. Ignora.
Pois Tempo, é humano. E o Amor, divino.
As abelhas sabem - pensou Emily.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Se amas...

...Olhas as nuvens.
E nelas consegues,
 a forma que quer.


quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Como se já sendo, como se já fosse...


Amar...

Particular infinitivo conjugado por dois. Sem julgo.
Infinito particular dos que compõem e cantam.
Sejam montes, mares ou brisas.
E a razão? Foi exconjurada num eco torto.
Inacabado, incerto.
Dinâmico e renovável.
Perde todo o seu sentido,
Para o todo se sentir.

Até o frio de quem ama é uma delicada forma de calor.
Sol vestido de lua.
Sol que não se entende,
a nota certa no meio da música que não condiz.
Entender é impreciso.
Compreender é improviso.
De se deixar levar.
Elevar. Ele e Eva.

No Fogo que aquece o Ar.
No Ar que se funde em Água.
Na Água que umedece a Terra.
Na Terra que abranda o Fogo.

Ciclo que transcende o cíclico.
No solo. Desfeito em duo, que não deixa de ser solo.
Feito você (como se já fosse) em mim.
Alguém de que gosto (como se já sendo) com gosto de alguém.



sábado, 9 de outubro de 2010

Lullaby


Insígnia.
o
s

s

a

.

Significante.
Aconteça o que acontecer...


Tecer,

Significado,


...E ser
Signo nosso.

Fiar contigo,
f

i

a

r

.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Irreversível


Em negro o pesar.

Imacula,
o grito. O ato da corja.
Emascula,
o rito. O fato que forja.
E macula.

E
j
a
c
u
l
a
.

Estrela,
latente.
É tê-la,
lá dentro,
cadente.

Em branco o pensar.

domingo, 5 de setembro de 2010

Jethro Tull - Roots to Branches


Primeiro: Comprei esse cd no queima-estoque de uma loja falida na minha cidade por 10 reais. Mas esse não foi o único motivo com certeza, apesar que eu adorei isso!rsrs
Pois é. Este é o vigésimo album da banda inglesa, que iniciou seus trampos no fim dos anos 60, e está bem distante dos clássicos trabalhos da banda a exemplo do disco Aqualung. Roots to branches (down now here!) surge em 1995 e chama a atenção por ser extremamente maduro, com músicas que a gente percebe terem sido muito bem trabalhadas. A banda explora as influências orientais ao tempo em que retoma a velha pegada de rock progressivo dos albuns clássicos. Faixas com melodias pegajosas, alternância de tempos, fazem de Roots to branches um disco muito gostoso de ouvir! Pra quem não conhece a banda também é interessante começar por aqui. E se curtir... Go to the classics!! Não vai se arrepender! Uma banda de progressivo onde um flautista é o frontman e a flauta um elemento essencial, é Jethro Tull!! : )
Destaco a faixa "dangerous veil", claro, a que eu gosto mais!! rsrs
Nota? Eu sou suspeito pra falar mas...é 10 de 10! Pra mim, esse disco também é excepcional!

Line up:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Basta


Lindo, pra mim, é raro. Raro é valor. Valor se mostra. Se,
Se demonstra.
Não por/Mas com
um orgulho de sabe-se lá o que não definido.

Indefinido, pra mim, é mágico. Mágica é encanto.
Encanto se mantém.
Se,
Se quer.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Etron Fou Leloublan (criatividade à flor da pele)


Batelages 1976

Anos 80 e... uma banda se destaca (entre as que se destacam) no meio prog/ avantgard, no estilo mais conhecido como R.I.O. Os caras começaram em meados dos anos 70, alcançando um flerte entre o punk (isso mesmo! punk!), o psicodélico experimental e o folk francês. E o cupido dessa história é puro jazz. Baixo, batera e sax são os elementos chave por aqui, e as letras em francês agregam um certo charme ao resultado.
Se você curte um som autêntico, independente e de qualidade, o download está indicado. E se é músico, ou metido a músico, está indicadÍSSIMO!
Disponibilizo o melhor, ou um dos melhores discos, o Batelages (click pro down) de 1976. Ahhh, e não dá pra ser diferente. É nota 10 de 10.



Line up principal:
Ferdinand Richard (baixo/ vocal)
Guigou Chenevier (bateria/percussão)
Chris Chanet (sax)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Do estrago, a experiência


Se eleva,
ao inerte frio.
Onde há o frio,
que se leva.

Pois se foram coisas primeiras,
essas coisas terceiras,
e maculadas,

são a mágoa inteira,
que se reitera,
em mágoas quebradas.

Certo o feito,
errada a hora,
dói o peito,
e a dor demora.

Do valor perdido,
pelo risco do novo.
Do enfaro à libido,
pelo medo. De novo,

se eleva,
ao inerte frio.
Onde há o (f)rio,
que se leva,

tudo.
E o todo fica,
mudo.

Apercebe-se,
o cio.
Se percebe...

vazio.
Mas fértil!
Do frio,
inerte (?)

Eis que se tem a cura,
do veneno e do fel,
feito a cana dura,
d'onde tem-se o mel.


domingo, 15 de agosto de 2010

Da experiência do estrago


Proscrita,
classe que fode,
as coisas primeiras,
e imaculadas?

Prescrita,
clássica ode,
às coisas primeiras
e imaculadas...

Flutuam em carpete,
ornado e vermelho,
dançam no tapete,
em sala de espelho

No requinte do cume,
em nobreza pujante,
se há sombra, há lume,
se há engano, decante

Numa tela de afago,
linho fino e vistoso,
um feitiço de mago,
louva o pleno do gozo

Até o cair da meia noite... e da bela lua que luou.

Até o raiar do meio sol... e da bela sola que solou...

Vomita o tapete,
pisado e vermelho,
desbota o carpete,
e trinca o espelho

No requenta, que come
em nobreza pedante,
se há sombra, há fome,
se há engano, adiante.

Numa tela se afoga,
vinho tinto e viscoso,
o catarro que folga,
no cigarro, vil gozo.


E eram coisas primeiras,
essas coisas terceiras,
e maculadas.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lentejoulas



O cheiro tátil,
de um encontro macio,

F(r)icção,

a um palmo da distância,
ex-conjurada pelos olhos...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Contra-adição


Em termos. Pois há de se aprender a contar pra que se possa somar. Filósofo, tu não compreendes de si, o que pode contar das coisas outras? Se há aquele que compreende de si, esse é o sábio. Quanto a ti, que posso eu passar? Que passo eu posso...dar? Ora, pois, não sou sábio. E filosofo:
No verbo amar,
Acredito.
Havendo quem acredite,
No verbo em mim.


terça-feira, 27 de julho de 2010

Forca


O amor é uma força. Que não força, nem comete suicídio.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

In-condicional


Quero o além de te provar.
Quero o teu amor.

Se,

isso não te privar,
ou te por à prova.


Post mortem



Do largo,
âmago.
Amargo,
cândido.

Hipocripta: Cripta com dizeres hipócritas.

Dito,
depois de morto.
O vivo,
e o dito. Que não viveu.

Estalido,
e por escrito.

Baluarte

É a arte da Lua. Cigana. Dos corações,
Ciganos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Entre o prolixo e o lacônico, o nosso.



Elástico e tímido. Intímo e cárstico.
Quando as palavras se propõem a calar, o sentimento se propõe.
Incontido. Nu... ato.
Sem álcool, sem água.
Sol venta, universal.
É noite, em uni-verso:
A-eu
A-teu.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Plâncton e a Vaca



Siri e queijo... Sandy e sexo... Pá! trick, trick, nervoso!!

Bobo.
Esponja de pílula.
Molusco...

Se afoga na própria fenda. Do biquini... Shhhhhhhhhh!!

domingo, 4 de julho de 2010

Esquisitossomose



"O tempo vai dizer". Eu gosto de falar isso às vezes. Eu falo, e gosto de falar porque já presumo o sentido figurado da frase. O tempo não diz nada. O que é, já o é, e independe do tic tac. Como algo que não define sequer o seu próprio espaço (como é o tempo) poderia te definir alguma coisa? Pensa um pouquinho família. A sua falta de percepção é o x da questão. Não o tempo. Não falo as coisas por necessidade, mas me expresso, sim, sempre que necessário. Vocês já poderíam saber disso...
Eis que ao nascer, nobre, amanheceu-me um ruído. Levantei. Água gelada, pra doer nos meus dentes sensíveis (Ahh..isso é bom... E querem me empurrar um novo creme dental pra cortar minha onda). Olho pro canto da cozinha. Quão bela é a lata. Inoxidável em todos os sentidos e juntas. Com partes plásticas anti-bacterianas. A alma da cozinha. Guardiã de... lixo. Orgânico, em putrefação. Inorgânico, comida de peixe, a longo prazo (pobre estômago marinho. Vítima dos sentidos confundidos. Fudido). E olhando bem dentro, percebe-se... há uma tentativa de transa, entre o orgânico e o inorgânico. Obviamente, não dá certo. Feito uma bela foda de amor enrustido. Que lindo...é como na vida real! "Ha que endurecer-se sem perder a ternura" tchê!.
Engraçado... agora percebi a geladeira daqui de casa. Ela geme, que parece haver uma galinha dentro dela. Mas faz bem sua função e conserva as coisas direitinho. Principalmente os ovos. Mas nem só de textos bonitinhos (e de ovos) vive o homem. Tá bem! É verdade que ele prefere sim viver dos teXtículos e isso atribui uma certa valorização aos ovos.
Quanto ao título do referido (texto, não teXtículo), me pareceu adequado depois que percebi ser "esquisito" uma palavra inerente a mim (embora não necessiariamente seja de mim). Filmes, músicas, roupas, idéias, e traços de personalidade que renderíam etecéteras aqui, são carregados com este adjetivo ilustre, quando se referem a mim. Se me ilustra, não sei, mas me lustra. Afinal, por que não posso ser o lixo que guarda a lata, devidamente protegida com camadas de fedor em rios de chorume? Deram-me as runas, e todos os sentidos. Era plural demais. Então abracei um. Esse.
Singular e... esquisito?! : )


sábado, 19 de junho de 2010

O teu nome



Roda a lua em samba de roda
Se consuma, sem consumo
Improviso e preciso,
Devagar e urgente.

A gente se perde,
por dentro de uma estrela
A gente fica, a gente segue,
no silêncio que ampara o amor.

Somos da noite,
do sereno.
Do dia,
por inteiro.

Das metades núbeis.
Me encontras,
e te conheces.
Verso. Sem vício.

Som imaginário,

(.................)Gritos e sussurros são cores.

E o tempo,

(.................)é delicadeza.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Metricô de Retoricalhos



Ecos que refletem sob o mesmo som repetido. Repedido, reperdido, na constância. Repercutindo, repercurtindo, em batidas diferentes. São dúvidas insolventes que profanam a calmaria alheia. O que queres aqui, Retórica?
Não serves, quando és eco de um self atormentado. Ansioso em convencer os outros pela incapacidade estampada na ausência do convencimento de si mesmo.
É do mesmo modo como não me serve a métrica. Quando quem dela se serve, servo dela é.


Gong

Gong Perfomance

Psicodelia, jazz rock, progressivo de altíssima qualidade, são algumas das tags que podem ser tranquilamente aplicadas ao Gong. Estamos falando de uma pérola de banda, onde a versatilidade, a criatividade, e a complexidade sonora são traços marcantes. São músicos de primeira. E uma grande banda sempre tem uma grande (e bela) história. Vamos lá que vale a pena... : )

O Gong foi formado em 1967, graças a um problema no visto do mentor da banda Daevid Allen, que acabou ficando na França onde viria a constituir a primeira formação do grupo com Gilli Smith, que mais tarde se tornaria sua futura esposa. Por causa da revolução estudantil em 1968, o casal se viu obrigado a migrar pra algum lugar. Espanha foi a escolha. E lá, Deus sabe como, conheceram o saxofonista Didier Malherbe (Detalhe: O cara morava em Deya, numa...Caverna!! rsrs).

Daevid Allen

E assim o Gong foi indo...desenvolvendo. Várias bandas foram formadas a partir de ex membros do Gong, inclusive pelo próprio Allen que na década de 70 caiu fora do projeto, provavelmente devido a desavenças musicais (mais tarde ele retornaria). Planet Gong, Mother Gong, Here and Now, Gongzilla, são bandas derivadas do Gong original. Allen se refere ao conjunto de todas como Gong Global Family.
A discografia é imensa e chega até 2009 com o disco 2032. Naturalmente, uma banda que vem de 1969 até 2009 passou por várias fases, algumas mais psicodélicas, outras mais pro jazz/fusion, chegando até a flertar com os elementos eletrônicos. O massa é que: Todas as fases são f.....!!!, o que é difícil numa banda.

Sendo assim, não tem como falar de um disco só. Pra um primeiro contato disponibilizo o Anthology: 1969 - 1971 , o expresso II (1978) e o shapeshifter (1992), que são bem diferentes entre si. (Clique nos albuns pro Down!!). Falo sem medo: Não dou nota pra esses discos. Gong é uma banda nota 10!!


Espero que vocês curtam!

Drugstore



Rock alternativo/indie/ e de bom gosto. Eu não poderia deixar de indicar essa banda, especialmente o disco White magic for lovers (Clique pro down!!), de 1998. A participação de Tom York (Radiohead) na faixa "el president" deve deixá-los no mínimo curiosos pra escutar o trabalho. Fora isso, mais curiosidade: a banda é inglesa e tem uma brasileira nos vocais. Isabel Monteiro (que cá pra nós se garante!) é o nome da voz doce e harmoniosa que dá a cara do Drugstore e saiu do Brasil na década de 90 pra tentar desenrolar a vida no exterior.
As composiçoes são inteligentes e as melodias bem trampadas e gostosas de ouvir. Dá pra perceber que houve muita dedicação e empenho dos músicos e isso deixa o disco bem peculiar e interessante. Notinha 9, de 10, pra ele. (num foi a toa que o York resolveu participar, e tipo...num belíssimo duo com Isabel. Vale a pena conferir!)


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Errata



. Pelo início. O elo concebido, na possibilidade inexistente. O belo que se insistiu, antes de existir. Abstrair foi trair a si próprio. Por mais verdade que se tenha feito, dito, pensado, sentido, o espírito residiu em abstração. À tração abstrata de um engano. Pela vontade do que se quis, imaginando. “Ideologia, eu quero uma pra viver”. O agora não me bastava. A razão não me algemou. E foi, por uma certa inocência errada. Aliciado por um fetiche. O conto de Alice guarda em si uma febre que a tudo manipula. Desencadeia. Em cadeia. E prende. A perfeição foi iludir-se. Ludibriar-se, feito o bêbado que dobra a esquina reta. “E quando eu jurei meu amor, eu traí a mim mesmo”. Perjúrio. Pela ausência da realidade. Dos olhos, que falharam, em tentar alcançar algo nunca visto e fora do campo de visão. E o típico visionário, amadurece. Nada resta. Se resto são migalhas. Mas se ganha. Pela excessiva sinceridade que tantos temem. Que tantos tremem, por julgá-la inconveniente. Ela compensa, por ser crua. Por desnudar. E não é cruel. A crueldade residiu em consequência da repressão do real que se apresentou, pela fantasia que se almeijava. E isso não foi amar. Foi egoísmo.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Emily. Por ela, por mim, por nós.


Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha.

Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for...

Quando o que é - e o que já foi -
lado a lado - Intrínsecos - permanecerem -
E o Drama efêmero do corpo - feito Areia -
escoar...

Quando as Faces Fidalgas se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se...

Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!

* Título original: Of all the Souls that stand create - by Emily Dickinson
Obs: Este poema foi traduzido e modificado por mim, conforme absorvi melhor o seu entendimento.



Photo: Wild nights - By Emily Dickinson (manuscript).