domingo, 29 de novembro de 2009

O menino da Lua (f L i C t S)



Sem um cantinho na caixa de lápis de cor era tão triste que quis fugir. E fugindo foi sumindo... Foi sumindo, o já desaparecido flicts. Pois nada era, nada cheirava, nada tinha. Sequer um sentido figurado havia.
Cansou-se de imaginar, como as outras cores podíam se imaginar. A cor que é não respira em nada que se vê. Falta espelho para descrever-se. Até o espelho gigante do mar não o reflete.

Está tão longe...

Então calou-se. Nem por fora, nem adentro. Pensou-se. Sem designar flores. Sentiu-se. Sem o toque, nem o vento. E assim, sabia que existia...mas...mas o que era?

Bebeu-se várias vezes, sem cálices. Seu humor temperado, sem atrabílis. Nunca houve de querer ser outro algo, outra coisa, intérprete ou poeta. Queria apenas se ver no seu espaço. Era apenas isso...

O azul do mar. O verde das folhas. O amarelo do sol. O cinzento dos dias. O furta-cor da poesia. Consigo, todos estavam quites. Quis se espalhar, dividir-se. Mas nada...nada aceitou se misturar. Nem mesmo quando as cores brincavam de ciranda no céu houve espaço pra flicts...

Eis que veio o astronauta e disse: De dia a Lua é azul clara, e reluz juntinho do brilho do Sol. À tardinha, arde como brasa, vermelhinha. À noite, às vezes, inspira-se no amarelo-ouro. E geralmente se ostenta em prata. De longe, ela parecia ser branca. Mas daqui, de pertinho, quando se pega um punhado na mão e se olha profundamente a Lua...a Lua...a Lua é flicts!!
Incessante como o azul celeste, forte como o amarelo solar, atônito como o branco nas nuvens. Especialmente lindo, raro, aparentemente imanifesto, lá estava. Lá era. Segredinho não guardado em caixa, a cor que (um dia) quis se encontrar.

Mais-que-perfeito é pretérito, ou futuro.
Presente é sentir-se real, maduro...Reconhecer-se... flicts.

sábado, 21 de novembro de 2009

Ghost(o) que não se discute...



Cada um vive a matéria que ocupa,
cada qual mostra a verdade que ausculta,
apercebe-se pela ciência,
despercebe-se de sua essência...

Ética: (c)ética e eti(li)ca.

São pessoas... quando riem ao mostrar a face.
São fantasmas... quando choram ao virar as costas.

Olhos inocentes podem ver...

sábado, 7 de novembro de 2009

Do a(u)tor para...

Fotos: Sinônimos para anônimos, provavelmente conhecidos (Arte: Carlos Careqa).

Ademais, vão me desculpando. Sei que tudo por cá é muito amador. Amor e dor, até demais. Escrevo conforme as palavras me vem, me vêem, e querem ser escritas. O princípio ativo é apenas o sentido e, por vezes, o contido que ficou de algum momento. Erros de concordância, repetições, neologismos, e quaisquer fugas do bom português (quando propoZitais), são simplesmente porque me foram necessários. Quando não, foi porque errei mesmo. Gosto de parentêses, de brincar com as palavras, e com as imagens. Me traz uma sensação do mesmo nível (posso dizer assim) de quando era garoto e brincava com bonecos, sozinho. Isso era (e ainda é) um pouco divino. Ser criança é divino por inteiro...Sensivelmente.

Nem todo mundo compreende isso, tampouco esse meu jeito. E convenhamos, ninguém tem obrigação de entender. Há quem pensa que comprar um cd cult traz personalidade. Há quem bebe cafezinho expresso como suplemento cultural. Há quem, cuidadosamente, escolhe as palavras quando num diálogo, ou reflete bem antes de falar sobre qualquer filme (em caso extremos, reflete bem para falar de qualquer merd... . E o objetivo? Não sei. Talvez o poder de criticar, sem arriscar ser criticado). Eu nada me importo com tudo isso. Apenas escrevo aqui, questionando o porquê de (alguns anônimos, mas provavelmente conhecidos) se importarem se meus passos são retos, tortos, ou se ando no meio fio. Continuarei me (im)portando como sempre, e os observando como gosto (e com o gosto que tenho) de observar a tudo e todos, vísiveis e invisíveis. Para rir, chorar, estagnar, espantar... sentir...para escrever. E foi me valendo do primeiro parágrafo que produzi (sem muito capricho) o post, dedicando-lhes (meus caros "faladores de mim"), junto às linguagens que o acompanha.

Há quem pensa que sensibilidade é algo cabível a todos. Deve ser mesmo. Afinal, todo mundo sente um beliscão.