segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Alternativa mente (Notas das idas ao Crato e outros contos)



Perfume discreto para a noite. São diferentes. Elas não se envolvem com quaisquer uns. O intelecto é o que lhes interessa. Mas não basta apenas ter. De nada vale ter, sem o tal "reconhecimento social". Ele tem que pensar lindo às vistas alheias de (quase) todos. Amparado em Adorno, Confúcio, Chomsky, Capra, Foucault, Kiekegaard, Schweizer, Arnaldo Jabor, Galvão Bueno, ... não importa quem, embora quanto mais desconhecido melhor. Basta que...Comte...uma, duas, três historinhas de mil oitocentos e tarará. Cheio de boa música e ilustrado de poetas mortos. Pois ele é o vivo, aos olhos de outrem.

Sex appeal do curriculum lattes. Mas não necessariamente de um intelecto pensante. Porque no fundo, ele só repete, com outras palavras, vivendo o oposto do que diz. Chamam-no inteligente por conta disso. Me enoja mais que o Homo nojentus habituallis. Aquele, cujas táticas se resumem à exposição de um carro com som (ou seria um som com carro?) e frases do tipo "oi princesa...", "oi filezinho! se não olhar é mal passado...", etc. O nojento habitual pelo menos é sincero na sua arte, mesmo chulo, e às vezes bêbado.

Mas coitado, ele não tem mestrado, nem doutorado. A ferramenta potencial de status e conquista (no fundo, um automóvel ajuda também, como coadjuvante), nesse caso. Valem mesmo as páginas e páginas escritas (desde que autenticadas) sobre "As aparições de Nietzsche no cordel contemporâneo", "A diversidade do espaço geográfico na musicalidade de Roberta Miranda", "Os gregos antigos e o arroz a la grega: A construção de uma culinária mística". Qualquer tema que, essencialmente, não terá nenhuma utilidade social. "A produção de escritos estéreis: gastos de verbas públicas sem utilidade pública". Isso seria um tema interessante...

Evan do Carmo coloca (e complemento): "Pensar não é tarefa para os homens atuais, por isso repetem frases feitas há séculos, e ainda se passam por sábios clássicos", agarrando mulheres. E elas caem. Querendo fazer diferente, elas caem. E fazem igual. Ao invés de um carro, presentes, e sexo, se tem uma "cabeça reconhecida", sexo (será que essa parte tem ao menos qualidade?) e o ego massageado por isso...

Alternativa mente... Bonequinhas que inspiram do mesmo ar que dizem expirar. Conscientes ou não...

4 comentários:

Dj Geek disse...

A maioria da raça humana segue os mesmos padrões... o que muda é apenas a pauta. No fim esta maioria se rende às coisas pequenas (medíocres) da vida. Os corajosos que vivem nesta era do "não-pensar->repetir"... sofrem. Caminham por dentro, assim como o guerreiro indígena... São lobos solitários em busca do auto-conhecimento e da sobrevivência.

jeanni disse...

Esqueceu de falar do mario Quitana e das músicas de Tom Zé!

Gabriele Fidalgo disse...

Olha, vou te falar: acho teus textos geniais. Aliás, os textos são reflexos das suas observações.

obrigada por ter me linkado.
estou gostando bastante do seu blog. Te linkarei também! :)

beijos

Ana disse...

Nossa, esse texto seu é surpeendente!!!
Como você disse repetidores das mesmas palavras...todos, na verdade, somos. Somos intertextos dos antepassados, porém, ao que vc se refere "Aquele, cujas táticas se resumem à exposição de um carro com som (ou seria um som com carro?)" me enojam também...não sei se é pq não escutam num tom normal e tem que elevar o som até, quase, explodir as portas e porta malas do carro...ainda se fosse música que estivessem escutando...mas não!!...enfim, o sossego os incomoda tanto ao ponto de acharem que os outros também se encomodam pelo silêncio...
Confesso que "fiquei curiosa" sobre o que vc disse: "A diversidade do espaço geográfico na musicalidade de Roberta Miranda", bem "me interessa tomar como pesquisa essa sua 'sujestão'", rsrsrs

Rafa, você é gênio como diz o Gabriel!!

Beijoooooooooooo