quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cândida



Almas saturadas de jazz exalam feromônios de improviso. Acordes de Sodoma e Gomorra. Pessoas confundidas, fundidas. Brilham que ardem, no seu próprio brilho. A beleza do grotesco é o verso ao (no) avesso. Calígula bem que tentou. O tédio bem que dissolve, a solidão bem que evapora. Mas por que tudo volta petrificado depois? Calígula, o tédio, e a solidão? Restam subsídios para os contos do Marquês.
Vaza rasgando a carne. Dilacerando as calças. Soberba e devassa. Libido.
Assobio de febre, sonho colorido, vista preto e branco. Do sexo, sementes de amor estéril.
Vitrola, vinhos finos, sangue engrossa no suor. Do grude, índigo néctar.
A menina da esquina guarda dor e ódio - Vende-se. Surta e... acalma. Ainda há boas lembranças nas nuvens de beque. E bares onde tomar as providências.
Mais nobre que qualquer pôr do sol, é o sol quente do meio dia. Mais cruel, mais sincero, que bonito.

3 comentários:

Tata disse...

Sabe duma coisa? Você me mata de orgulho.
Um dos que mais gostei, a mistura certa, as palavras usadas, a quantidade de boa informação. Ah, eu amei.

Augusto disse...

Cara... "Doce mordida" (as 3 partes), "Topic Motel", "Entre dois ou três", aquele do "Sex Appeal"...e agora esse! Tu tem uns textos que putzzz!! As duas últimas frases... fecharam(?)perfeitamente o texto.
Gosto dos outros também, e da diversidade de como escreve. O conjunto imagem - título - texto também é muito bom!

Abraço

Gabriele Fidalgo disse...

'a solidão bem que evapora. Mas por que tudo volta petrificado depois?'

compreendi tanto a personagem deste teu texto.