sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

(Der)retidos



Beijos em palavras que retém
Palavras em beijos que derretem...
_________________________________

Palavras derretidas sem beijos
Beijos retidos sem palavras...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fora de foco



As imagens fotográficas são retratos da realidade nas quais tentamos apreender a totalidade do real, mesmo sabendo ser impossível alcançá-la, pois tudo o que conhecemos, inclusive o próprio conhecimento, guarda dentro de si um princípio de inacabamento e incerteza. A totalidade está numa construção constante e inesgotável. Como afirma Adorno (apud Morin, 1996) "a totalidade é a não verdade". Compreender o total seria reduzí-lo ao erro. As fotografias não devem ser entendidas como reflexos do real, mas como traduções dele, e também não se fazem leituras reducionistas da realidade, pelo contrário, podem até representar a nossa ruptura com modelos esteriotipados desde que, para compreendê-las, enveredemos por um caminho impregnado pela complexidade, comunicação intersubjetiva e indeterminação. As fotografias podem ser, didaticamente, possibilidades de conhecer sobre o conhecer.

Focault (1987) afirma que a história da verdade tem sido a de sua imposição e a noção de saber é correspondente a poder e história. As imagens podem ser (e devem ser) pontes para o alcance deste entendimento, ou seja, o que vemos não é tão somente produção de verdade, como também é um exercício de poder que se firma numa construção discursiva.
Podemos (e devemos) trabalhar as imagens atentando que "o mundo dos fenômenos só existe na medida em que aparece para nós, e de certa forma, participamos dessa construção" (Kant apud Aranha e Martins, 1993: 113). Se nós participamos desse construir é necessário dialogarmos com nós mesmos, estimulando uma comunicação que nos amplie enquanto seres humanos, onde a ordem e a desordem, a razão e a paixão, o objetivo e o subjetivo convivam como antagônicos complementares e sejam simultaneamente construtores da realidade, a dualidade no seio da unidade.

As fotografias são caminhos cognitivos. Nosso modo de olhá-las, percebê-las e pensá-las revela nossa estrutura de raciocínio pessoal-social. Para uns, elas podem estar tão escuras a ponto de que nada se enxergue. Para outros, elas podem estar nitidamente firmes no papel, ou ainda um tanto embaçadas. São verdadeiras ferramentas na prática do raciocínio em suas múltiplas possibilidades de relacionar-nos ao objeto. São imagens fotográficas, mas não apenas isso por si só, pois são caminhos para a descoberta de uma essência dinâmica a partir do momento em que somos capazes de controlar o foco e enxergar para aquém e para além do que está sendo mostrado. Não são obrigatoriamente conhecimentos fragmentados, mas são fragmentos de conhecimento, cujos limites, estão no sujeito que as observa.



Bibliografia referenciada e relacionada:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. 2° ed. São Paulo, 1993.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro : Forense Universitária, 1987.
JAPIASSU, Hilton. A crise da razão e do saber objetivo: As ondas do irracional. São Paulo: Companhia das letras, 1996.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 2° ed. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sen (is)so. E tanto faz se com "s" ou com...



...a liberdade é o meu senso(r)...

senso do ridículo, senso de urgência, senso colorido e preto e branco...

senso comum (de dois gêneros), senso gay,
senso cósmico, senso cômico,
senso crítico, senso moral,
bom senso.

senso de comida: "sensal"
senso de merchandise: Gillette sensor, sensodyne
senso sonso: censo IBGE
senso de ganhar dinheiro: sensoriamento remoto.

contra-senso, Senso o filme,
senso de tirar a roupa,
senso de tudo na vida.
senso, logo existo.

sensu de ganhar status: lato, stricto
senso sem causa,
senso só de efeito,
censura.

pouco senso é continuar a girar o mundo em meras questões sensuais...

...meu senso(r) é a liberdade...

domingo, 29 de novembro de 2009

O menino da Lua (f L i C t S)



Sem um cantinho na caixa de lápis de cor era tão triste que quis fugir. E fugindo foi sumindo... Foi sumindo, o já desaparecido flicts. Pois nada era, nada cheirava, nada tinha. Sequer um sentido figurado havia.
Cansou-se de imaginar, como as outras cores podíam se imaginar. A cor que é não respira em nada que se vê. Falta espelho para descrever-se. Até o espelho gigante do mar não o reflete.

Está tão longe...

Então calou-se. Nem por fora, nem adentro. Pensou-se. Sem designar flores. Sentiu-se. Sem o toque, nem o vento. E assim, sabia que existia...mas...mas o que era?

Bebeu-se várias vezes, sem cálices. Seu humor temperado, sem atrabílis. Nunca houve de querer ser outro algo, outra coisa, intérprete ou poeta. Queria apenas se ver no seu espaço. Era apenas isso...

O azul do mar. O verde das folhas. O amarelo do sol. O cinzento dos dias. O furta-cor da poesia. Consigo, todos estavam quites. Quis se espalhar, dividir-se. Mas nada...nada aceitou se misturar. Nem mesmo quando as cores brincavam de ciranda no céu houve espaço pra flicts...

Eis que veio o astronauta e disse: De dia a Lua é azul clara, e reluz juntinho do brilho do Sol. À tardinha, arde como brasa, vermelhinha. À noite, às vezes, inspira-se no amarelo-ouro. E geralmente se ostenta em prata. De longe, ela parecia ser branca. Mas daqui, de pertinho, quando se pega um punhado na mão e se olha profundamente a Lua...a Lua...a Lua é flicts!!
Incessante como o azul celeste, forte como o amarelo solar, atônito como o branco nas nuvens. Especialmente lindo, raro, aparentemente imanifesto, lá estava. Lá era. Segredinho não guardado em caixa, a cor que (um dia) quis se encontrar.

Mais-que-perfeito é pretérito, ou futuro.
Presente é sentir-se real, maduro...Reconhecer-se... flicts.

sábado, 21 de novembro de 2009

Ghost(o) que não se discute...



Cada um vive a matéria que ocupa,
cada qual mostra a verdade que ausculta,
apercebe-se pela ciência,
despercebe-se de sua essência...

Ética: (c)ética e eti(li)ca.

São pessoas... quando riem ao mostrar a face.
São fantasmas... quando choram ao virar as costas.

Olhos inocentes podem ver...

sábado, 7 de novembro de 2009

Do a(u)tor para...

Fotos: Sinônimos para anônimos, provavelmente conhecidos (Arte: Carlos Careqa).

Ademais, vão me desculpando. Sei que tudo por cá é muito amador. Amor e dor, até demais. Escrevo conforme as palavras me vem, me vêem, e querem ser escritas. O princípio ativo é apenas o sentido e, por vezes, o contido que ficou de algum momento. Erros de concordância, repetições, neologismos, e quaisquer fugas do bom português (quando propoZitais), são simplesmente porque me foram necessários. Quando não, foi porque errei mesmo. Gosto de parentêses, de brincar com as palavras, e com as imagens. Me traz uma sensação do mesmo nível (posso dizer assim) de quando era garoto e brincava com bonecos, sozinho. Isso era (e ainda é) um pouco divino. Ser criança é divino por inteiro...Sensivelmente.

Nem todo mundo compreende isso, tampouco esse meu jeito. E convenhamos, ninguém tem obrigação de entender. Há quem pensa que comprar um cd cult traz personalidade. Há quem bebe cafezinho expresso como suplemento cultural. Há quem, cuidadosamente, escolhe as palavras quando num diálogo, ou reflete bem antes de falar sobre qualquer filme (em caso extremos, reflete bem para falar de qualquer merd... . E o objetivo? Não sei. Talvez o poder de criticar, sem arriscar ser criticado). Eu nada me importo com tudo isso. Apenas escrevo aqui, questionando o porquê de (alguns anônimos, mas provavelmente conhecidos) se importarem se meus passos são retos, tortos, ou se ando no meio fio. Continuarei me (im)portando como sempre, e os observando como gosto (e com o gosto que tenho) de observar a tudo e todos, vísiveis e invisíveis. Para rir, chorar, estagnar, espantar... sentir...para escrever. E foi me valendo do primeiro parágrafo que produzi (sem muito capricho) o post, dedicando-lhes (meus caros "faladores de mim"), junto às linguagens que o acompanha.

Há quem pensa que sensibilidade é algo cabível a todos. Deve ser mesmo. Afinal, todo mundo sente um beliscão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Borboletas no estômago



(O sangue corre no rio, descendo várias cascatas. Percola todo o meu ser, junto à luz de um sol... interior. O rio continua em ti, após a cachoeira...)


E em mim...

(Como quando chove no sertão, tudo muda. Sob o céu lilás, o verde aflora forte... E num soluço, me sobem as borboletas no estômago...)

Te amo...

Amando,

aMar-te...............................................em Vênus.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Intolerância à lactose (e demais alergias)



Palavra presa prensada entre os dentes.
No encalço engasga em câmera lenta.

Contém traços de leite,
sorbato de potássio,
aroma idêntico ao natural de baunilha.

"Eu te amo" embalado em tetra pak.
E ainda sai musiquinha quando abre.


*escolha o seu!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Temp(l)o Nosso



Beijo, Brasa, Beijo...

E fico,
feito,
Fogo........................................louco.

Imenso,
leve,
e denso...................................Ar.

Fértil,
firme,
Terra......................................forte.

Alma,
clara,
e pura....................................Água.

Carinho,
ainda sem mãos,
revolve o navio.
Amor,
sem olhos nos olhos,
dissolve o vazio.

Sorte.

Para além da distância,
e dos quatro elementos,
tenho Você.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Masquerade - Unique act



O fenômeno se mostra na constância,
outra coisa é a essência.
O expoente se põe em evidência,
outra coisa é substância.

Compreendem o mundo pela compreensão atual que têm de si mesmos,

Assim são os seres.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

EX (fora de) POSIÇÃO do Crato


A momentary lapse of reason (Precisamos!! e Urgente!)


EX (fora de) POSIÇÃO do Crato:
A falência múltipla da cultura,
pela carência múltipla dos órgãos (sexuais ou não)...




Vide Bula:

PROGRAMAÇÃO EXPOCRATO 2009:

12/07 – Domingo

Amado Batista – AMADO? MESSSSMO?

Caninana do Forró – DIZEM QUE FICANDO BIRITADO (”BÊBO CEGO" MESMO!) DÁ PRA AGUENTAR.

13/07 – Segunda-Feira

Parangolé – PARANGOLÉCUTIMINGUIRUARO!!

Waldonys – ME ABSTENHO.

Stefanie Pontes – “YO NO LO CONOSCO SEÑOR”

14/07 Terça-Feira

CPM22 – MOSTRANDO QUE TAMBÉM EXISTE ROCK DA MESMA INDÚSTRIA (DE LIXOS EM MASSA) QUE TEMOS NO FORRÓ.

Biquíni Cavadão – DE NOVO?

Red Still – JÁ QUE A SITUAÇÃO TÁ VERMELHA… ESSA VEM PRA ELA CONTINUAR…

15/07 – Quarta-Feira

Calypso – …ATÉ FICAR PRETA: COLAPYSO.

Forró do Muído – DO “MUÍDO” MESMO!!

Geraldinho Lins – FILHO DO IVAN LINS?

Forró na Tora – SE VC NÃO TÁ GOSTANDO, VAI NA “TORA” MESMO.

16/07 – Quinta-Feira

Chiclete com Banana – ESSE CHICLETE DÁ GASES E A BANANA É AMADURECIDA A FORÇA COM CARBURETO.

Saia Rodada – ISSO É SÓ OLHAR PRO LADO QUE SE VÊ.

Forró do Bom – ATÉ PORQUE “DO RUIM” JÁ TEM DEMAIS NEH?

17/07 – Sexta-Feira

Aviões do Forró – AVIÕES LEMBRA AEROPORTO = FOCO DE GRIPE SUÍNA!!

Jammil – “JAMEH!!!”

Solteirões do Forró – OS BÊBADOS QUE CHEGAM NAS MENINAS FALANDO “OI PRINCESA” E CHEIRANDO O CABELO DELAS, OU DIZENDO “EI FILEZINHO!! SE NÃO OLHAR É MAL PASSADO" MONTARAM UMA BANDA!

18/07 – Sábado

Banda Eva – AINDA EXISTE ESSA? CARACAAAA!!

Garota Safada – BASTA DESCER A RUA SÃO PEDRO QUE VOCÊ VÊ ALGUMAS…

Arreio de Ouro – LEGAL ESSE NOME! ALGUM OBJETO DE FETICHE SEXUAL?

Ala Ursa – URSA MAIOR OU URSA MENOR?

19/07 – Domingo

Vítor e Léo – TEM QUE TER UMA DUPLINHA “BOMBANTE” GOELA ABAIXO.

Bichinha Arrumada – PERFOMANCE “ALIVE” DA BICHA MUDA DE JUAZEIRO

Capim Cubano – VIRE TEQUILLA ANTES DE ENTRAR

Nechville – INSPIRADA NO SMALLVILLE?


A Expocrato se supera!! Faltou só uma coisa pra fechar: “Ronaldo”!!.


Aviso: Pequenas doses dos psicotrópicos e alucinógenos acima, podem causar efeitos químicos, físicos e psicológicos devastadores e não reversíveis. Junte-se a nós: Diga não às Drogas!!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Posto e Conveniências




Primeiro colocam na rotina diária: Param (apenas) pra abastecer. Enchem o tanque, agradecem (nem sempre), e vão embora.
Depois vão mais além: Por fora, as pessoas imaginam nossos produtos através da nossa vitrine. De pele em vidro...
Visualizam por vontade própria uma plaquinha do lado: "Self-Service".E como se tivéssemos portas automáticas,
elas adentram... Escolhem o que há de melhor, o que precisam, ou as duas coisas. Compram com cartão de crédito. VISAndo... e saem.

Às vezes, uns entram na sala onde tá escrito: "acesso restrito a funcionários". Conversam com a Gerência, pois percebem a falta de funcionários,e vêem no Posto um excelente local de "trabalho": Oferece vale-refeição, vale-transporte e adianta o salário. Percebem também que o Gerente acredita demais nos seus funcionários. Dá credibilidade total, até que provém não merecer... Assim, alguns são selecionados e promovidos.

Com o bom ordenado do Posto, e sempre amparados pela Gerência, os funcionários crescem, pagam suas dívidas, e até resolvem seus problemas e angústias. O tempo vai passando... Um belo dia (o dia é belo mesmo, e não tem culpa de nada), os funcionários começam a faltar. O Gerente telefona . As faltas continuam. O Gerente já não telefona mais. Apenas observa. E continua pagando os salários e benefícios. Ainda abraça os funcionários nos dias raros em que passam a aparecer. Alguns até elogiam o Gerente.

Até que num momento os funcionários pedem as contas. A Gerência avalia os "porquês". São vários motivos e razões. Uns simplesmente somem, sem dar satisfações. Indo a fundo nos "porquês", o Gerente descobre que as pessoas já "trabalham" em outro Posto, mas não visando crescer junto com esse segundo Posto, e sim pensando já qual será o próximo "emprego", mais adiante. De acordo com o momento de cada um, e as Conveniências oferecidas, essas pessoas querem "crescer" a todo custo. E "os fins justificam os meios".

Decepções: Muitas. "Por que não entram, pegam o que querem, e vão embora? Por que fingir querer se incorporar a loja, para só então esgotá-la, enriquecer, e ir embora?" - O Gerente fica triste. Pensa e reflete. Se ergue, organiza os déficits e mantém o Posto de pé. Mas ele precisa de funcionários de verdade. E quebrando a cara, desse jeito, ele já descobriu uma que valeu a pena. E por isso continua caminhando assim...
"Um funcionário novo é sempre um novo, e não se avalia os novos, pelos velhos" - Ele pensa.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Onde o Rio é mais...



"Os passistas" são outros...

Já não é o mesmo,
Caetano Velado,
que a Dita Cuja,
Ditadura,
duramente ditou... (e o Gilberto viu)

Na Arte muda,
(a)o mu(n)do fala
sem ter voz...

Caitanto Veludo
nas cores de um "livro"
"pra ninguém" ler...

Gira o disco...

É Caetano Veloso,
na trilha sonora,
do
meu
Amor.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

dó, RA, mi, fá, sol, lá, si



Somos um nó de nós. Não um nó cego, flâmeo, ou invisível.
Nó que não se descreve,
apenas se escreve,

Sobre uma mesma linha,
em um só novelo de sentimentos.
Contínua... Uma essência, de dois.

Não se une o que já está unido,
e o nó é apenas a marca,
de um passo. Nosso.

Hoje sinto que não se procura.

Aparece. Por merecimento.
E onde se tinha Eu,
de repente cabe Nós.

Como o gato,
quando olhou pra flor,
e viu que tudo era uma coisa só...

...inclusive ele e a flor.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O.


*foto por Cláudia Buonavita.


Eu sou apenas eu,
assim,
em mim

Partituras partidas de um alaúde,
de encantos, em cantos,
de fados, e enfados

Caminho pelas calçadas,
dentro de mim,
sendo o que sou


Andei...muito...só...


Sem ruas, postes e avenidas
vou,
seja onde for...

E ao amanher,
me alegro por,
me reconhecer.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

...Pois o amor é um temporal atemporal nas têmporas do tempo.



Quando mais quero,
eu calo,
Quando mais paro,
eu faço..

Não reservo, nem pertenço,
Solto,

Leve... e manso.

Não observo, nem penso,
Contemplo,

Sinto... e danço. Essa música, que é silêncio.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Das pessoas, dos vórtices, e no íntimo.



As pessoas se deixam levar por idéias alheias. Moldam-se no suco de valores adquiridos (cônscios ou não). Não percebem que a idéia real é aquela que existe sem precisar ser pensada. Essa idéia é basicamente aquilo que se é. Por dentro. Não se precisa de vento pra viver. Precisa-se de ar. Mas no ar, inventam ventos, tormentas, vendavais e furacões. Os “filósofos” andam gerando, do pensamento, fezes (não no sentido fecundo). Não há o “café filosófico”, apenas urina. A última foi francesa, e pós-doc. A filosofia não deve se preocupar com prerrogativas inúteis. É justamente o contrário. Mas insistem em não pensar por si só. Insistem em repetições, citações, ou ineditismos abstratos. Tornaram a cabeça de Nietzsche um eclipse vazio. Nas teses mais absurdas. E sem tesão (razão de ser). Conhecimentos puramente ostentáveis. Complexidade burra, e portanto, nada aplicável.


Os vórtices são caminhos distintos para um mesmo destino. Há vários deles. Os vórtices amáveis, os sofríveis, os compartilhados, os inertes. Vórtices do indivíduo, vórtices sociais. Vórtices éticos, morais, e marginais. Embora eu escreva pra fora, te falo por dentro. Assim o intento se justifica.


No íntimo que se pensa, pela boca reluz. Ávido e Intrépido. Existe sim algo que bate e ama: O coração. E existe sim uma filosofia válida: A filosofia da simplicidade.

sábado, 4 de abril de 2009

Dia sem vestes



Sem mais palavras, lindas e... vazias. Percebemos toda a beleza no que não precisa ser dito. Só notado. Os lábios passam a brilhar no gemido dos olhares. Me condenso, da tua fumaça, enquanto tu és o nome que embaça minhas lentes. E o invisível se vê...

Saltamos fora na orquestra,
e somos só o que nos resta: Eu e você.Desafinados.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Embarque e Desembarque




I- Vários Gerais


Umas se enganam,
por vezes confundo,
outras se encantam,
num raso, profundo...

Sempre além do que tenha sido,
me sobram resquícios,
e onde me mostram sentido,
vejo apenas vícios...

Vivo e continuo, assim,
as pessoas, vêm e vão,
muitas pousam sobre mim,
e sou delas, estação...


II - Uma, Exceção

Se estive prosa ou poesia,
sério, sorrindo, ou mesmo acanhado
crônica da noite, poema do dia
sempre bom, foi acordar ao teu lado...

Para além dos trilhos
bem perto, ou distantes,
e embora andarilhos,
sempre há. Nosso instante...

terça-feira, 3 de março de 2009

Farsante ar



Olhares revelam pessoas
(mas nem sempre é assim),
nos detalhes residem as diferenças
(por vezes, tudo muito igual),
Amélie Poulain percebe as pequenas grandes coisas da vida
(vez por outra, esquecendo-se de si),

"Farsantear"
(é tecer com fio de mentira),
"Farsantear"
(é a essência de quem faz da vida um teatro),
Farsante ar...
(e eu não respiro).

domingo, 8 de fevereiro de 2009

78 Rotações (aunque no haya canción)



Ser teu olhar,
Sem as cores de sempre,
Transparente............ Rente.
Além das esquinas, ir aonde nem saibamos que...

exista.

(.................) Saber-Fazer,°
................................°
.................................°
Do vácuo .......................°.............a compleição.
Do silêncio ...................°...............o estrondo.
.....................................°
........................................°
Apurando os sentidos,..........°
........................................°
Intento...lento, que quase...queima.°
Volúpia por consequência,.............°
e uma haste pra nós dois. Dobrável...°
........................................°
......................................°
Quero pulsão de vida,...............°
E não relapsa......................°
Um colapso....................°............... que crie.
..................................°...°
................................°........°
............................° Com bolinhas de sabão...
.........................°.....................°
..........................°...........................°

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Alternativa mente (Notas das idas ao Crato e outros contos)



Perfume discreto para a noite. São diferentes. Elas não se envolvem com quaisquer uns. O intelecto é o que lhes interessa. Mas não basta apenas ter. De nada vale ter, sem o tal "reconhecimento social". Ele tem que pensar lindo às vistas alheias de (quase) todos. Amparado em Adorno, Confúcio, Chomsky, Capra, Foucault, Kiekegaard, Schweizer, Arnaldo Jabor, Galvão Bueno, ... não importa quem, embora quanto mais desconhecido melhor. Basta que...Comte...uma, duas, três historinhas de mil oitocentos e tarará. Cheio de boa música e ilustrado de poetas mortos. Pois ele é o vivo, aos olhos de outrem.

Sex appeal do curriculum lattes. Mas não necessariamente de um intelecto pensante. Porque no fundo, ele só repete, com outras palavras, vivendo o oposto do que diz. Chamam-no inteligente por conta disso. Me enoja mais que o Homo nojentus habituallis. Aquele, cujas táticas se resumem à exposição de um carro com som (ou seria um som com carro?) e frases do tipo "oi princesa...", "oi filezinho! se não olhar é mal passado...", etc. O nojento habitual pelo menos é sincero na sua arte, mesmo chulo, e às vezes bêbado.

Mas coitado, ele não tem mestrado, nem doutorado. A ferramenta potencial de status e conquista (no fundo, um automóvel ajuda também, como coadjuvante), nesse caso. Valem mesmo as páginas e páginas escritas (desde que autenticadas) sobre "As aparições de Nietzsche no cordel contemporâneo", "A diversidade do espaço geográfico na musicalidade de Roberta Miranda", "Os gregos antigos e o arroz a la grega: A construção de uma culinária mística". Qualquer tema que, essencialmente, não terá nenhuma utilidade social. "A produção de escritos estéreis: gastos de verbas públicas sem utilidade pública". Isso seria um tema interessante...

Evan do Carmo coloca (e complemento): "Pensar não é tarefa para os homens atuais, por isso repetem frases feitas há séculos, e ainda se passam por sábios clássicos", agarrando mulheres. E elas caem. Querendo fazer diferente, elas caem. E fazem igual. Ao invés de um carro, presentes, e sexo, se tem uma "cabeça reconhecida", sexo (será que essa parte tem ao menos qualidade?) e o ego massageado por isso...

Alternativa mente... Bonequinhas que inspiram do mesmo ar que dizem expirar. Conscientes ou não...

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Mistério da Crisálida



O mundo é da linguagem. E a minha língua fala além da carne, quando pode. Quando se abre algo além do que já se abriu, e se atravessa.
As pessoas costumam ficar.
Contentam-se em ser (estar/ significar) fotografias de alguns instantes. Abstrações. De risos, de toques, de laços e intenções. Que no outro dia ficam iguais, depois distantes, e mais além, distantes demais.
As aparências fazem esquecer que o mar, no fundo, é um deserto. E quase todos são (estão/ significam) borboletas alfinetadas em pequenos quadros de isopor. Mortas e colecionáveis. Pressurosas, vítimas do veneno das flores mais vistosas.
Tocam-me. E retocam o mais profundo da minha... pele. Contentam-se com o miasma.
Assim, dou-lhes o que lhes bastam. Um tubo digestório com boca.
E bem guardado, aqui, mantenho uma crisálida. Com um mistério dentro dela.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cândida



Almas saturadas de jazz exalam feromônios de improviso. Acordes de Sodoma e Gomorra. Pessoas confundidas, fundidas. Brilham que ardem, no seu próprio brilho. A beleza do grotesco é o verso ao (no) avesso. Calígula bem que tentou. O tédio bem que dissolve, a solidão bem que evapora. Mas por que tudo volta petrificado depois? Calígula, o tédio, e a solidão? Restam subsídios para os contos do Marquês.
Vaza rasgando a carne. Dilacerando as calças. Soberba e devassa. Libido.
Assobio de febre, sonho colorido, vista preto e branco. Do sexo, sementes de amor estéril.
Vitrola, vinhos finos, sangue engrossa no suor. Do grude, índigo néctar.
A menina da esquina guarda dor e ódio - Vende-se. Surta e... acalma. Ainda há boas lembranças nas nuvens de beque. E bares onde tomar as providências.
Mais nobre que qualquer pôr do sol, é o sol quente do meio dia. Mais cruel, mais sincero, que bonito.

domingo, 18 de janeiro de 2009

É isso.



Eu já te observo há algum tempo. Olhando, e em pensamento. Não apenas você. Eu me observo te observando também. Intensa, sem limites. Testa. Quer saber se pode. Se mostra forte, sem apego. Você não usa "talvez". Afirma ou nega. Mas o sorriso e o olhar (principalmente o olhar) são cheios de "talvez". "Talvez" é medo. Medo de sentir. De depender de sentir. Acho que as vezes você até pensa: "E se não for dependência, e for algo bonito, compartilhado?". Mas você só pensa...e guarda as possibilidades. Por isso grita, empurra, escarra, extravasa. Mas até se defendendo, se fazendo de fútil, você é linda.
Meio autobiográfico te observar...
Tenho vontade de te beijar. Mas e se não for vontade de te beijar? E se for algo como querer encostar nos teus lábios, e te acariciar, te respirando? Guardo as possibilidades...
Eu te observo. E sinto que estamos de ponta cabeça um pro outro. É só você virar...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Da minha janela



Nem sei bem o quanto de espaço tenho, mas vai além do Universo inteiro e de qualquer expectativa. Dentro dos meus olhos cabe o que eu vejo, o que eu penso, e imagino. Cabe a vontade, o prazer, o desejo, a angústia, e os enlaces. Cabe a mim, sem rejeitos nem censura. Eu gosto de quando estou aqui, e de me afogar em mim mesmo. Na saliva, quando dá água na boca. Nas lágrimas, quando condenam. Nos líquidos que excitam (e incitam). Porque não há gosto que venha de fora. Nem cheiro. De dentro dos olhos é uma alma só, viva, que respira de dentro pra fora...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Meio F(r)io



O acorde que se conhece,
é dedilhando que se aprende,
se o teu medo te desfalece,
é a si mesma que repreendes.

Seria bonito... Nosso amor seria.
Um amor sem fôrma.

Teria dito... Nosso amor teria.
De uma outra forma.

Eu me arrisquei. Por isso.
Pelo futuro.
E eu te risquei. Por isso.
Pelo futuro... do pretérito.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

De sol vemos



O sol perderia o céu,
se o sonho chegasse lá,
do tédio faria mel,
tintura de desenhar,

tão doce, que do amargo,
pintasse pela janela,
a lua em sombreado,
teus cachos, em torno dela...

Mal trago, bem trouxe...



se morrem as flores,
no raso do ser demente...

(Eu trago,
Tu tragas,
Ela traga,
Nós tragamos,
Vós tragais,
ELAS tragam.)

que se plante estrelas,
no vaso do céu da mente...

sábado, 3 de janeiro de 2009

Feliz Ano (de) Novo



Contradição. Em nome dos velhos costumes feliz ano novo soa tão estranho. Tudo o que precisa ser melhorado, individual e socialmente, se esquece e... fica pro ano que vem (de novo?!). O que não pode passar despercebido são os presentes, os sorrisos, a família unida, e a perfeição de um conto de fadas que só existe um dia por ano. Porque no natal sempre fica no "quase". Ainda se nota a desconfiança nos olhares, cada qual com seu escudo armado, criticando em pensamento ao tempo em que sorri pra você. Mas virada de ano é diferente. Os personagens ganham alma, e substituem os próprios atores e atrizes. A falsidade não é a mesma. Ela é autêntica até a meia noite. Até quando os fogos anunciam o fim da magia. As carruagens desaparecem, os vestidos rasgam, e não há mais véu.

O primeiro dia, do novo ano, amanhece... da mesma velha forma.