terça-feira, 21 de outubro de 2008

De cavalos soltos



Cansei de conduzir as rédeas e soltei os cavalos. Existem abismos de ambos os lados, mas eu confio nos cavalos. São meu novo dogma. Os cavalos soltos. A sabedoria nasce mesmo é naquele que dela não faz questão. Percebi isso hoje, estampado na cara sofrida daquele agricultor. A compreensão plena, traduzida em palavras simples. Eu sorria por dentro com aquilo. Aquelas frases curtas, em português chulo, que diziam tudo o que eu conseguiria dizer em vários textos. Se é que eu conseguiria...
Mas voltando ao novo dogma, enfastiei. Não vou viver das migalhas sociais que querem que eu viva. Vou velejar. O amargo da frustração se torna o doce de percebê-la falsa. A frustração é social, não minha. E sendo imposta, a mim cabe aceitar ou não. E dentro de mim ela não cabe, como não me caibo dentro dela.
Estou avulso. Não tenho avesso, nem inverso. Tenho a mim. Não tenho que me entender, tenho que me aceitar. Tentando entender se traz sempre mais problemas. Isso não é regra geral. Nem comodismo. É humildade, para com certos assuntos. Liberdade de quaisquer niilismos. Mas espere antes de pensar (julgar). Somos homens e mulheres, sim, mas diferentes entre si. E muito. Isso que eu escrevo é pessoal, pode não servir pra você, talvez nem pra mim, ainda não sei. É um experimento novo. Um novo olhar, meu, e que recai sobre mim. Algo que se você fizer o mesmo, por ser você, já não será igual.
Hoje o céu está aberto, sol forte, mas tem umas nuvens escuras... Amanhã já não estará mais assim...

3 comentários:

motivo da rosa disse...

gostei tanto do texto!

Júlia de Miranda disse...

"Hoje o céu está aberto, sol forte, mas tem umas nuvens escuras..." adorei! texto lindo e foto massa!

bjo

CARLA ROCHA disse...

Brilhante! Tudo muda, sempre. Ainda bem. Beijo grande.