segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Acebolado




Sim. Existem os males necessários. E um deles, no meu caso, é descascar cebolas. É difícil pra caramba, mas é o que eu tô tentando fazer, pra me entender mais...
Antes fossem batatas...mas são cebolas...
O pior é que tenho duas: Uma da branca e uma da roxa. A branca é perfeitinha demais. Percebo que ela por si só é muito ingênua, quer salvar o mundo, ver todo mundo feliz, e ser feliz também como se fosse...como se bastasse querer. Tem valores nobres e firmes. Dos mais sagrados. Tenho consciência de que se vivesse de descascar somente ela seria sem graça. Sem emoção. Mas ao mesmo tempo seria seguro. Pé no chão. E lindo, desses de conto de fadas. Ela é tão mansinha, que descascá-la me faz chorar de rir. E seria bonita de se ver. Só ela. Mas não de se viver... Por que? Por causa da roxa.
A cebola roxa...ela se descasca nas aventuras, nas incertezas, no prazer de arriscar. No profano. Vê a beleza onde poucas pessoas enxergam o belo. Quebra convenções. Se importa com o mundo tanto quanto a branca, mas é mais radical em relação a proteger os animais. Pensa mais em si. Quase que somente em si. Não por maldade, mas por inconsequência. Por não perceber que seus movimentos causam reflexos em outros e outras. E isso é um problema. Porque ela, quase sempre, machuca pessoas. E por si só é puro instinto. Inesperada, fria, imprevista...Perigoso demais...
A cebola branca e a roxa vivem travando batalha. Como se fossem dois inimigos, e duas pessoas distintas. Só se ferem, e ninguém vence, pois não é pra existir batalha. Ambas são cebolas, mas a essência é a mesma. O que eu quero é vê-las fazerem as pazes. Fazê-las perceber que uma está aí pra equilibrar a outra. E que juntas são mais fortes, e interessantes de se ver. E de se viver... Pra elas... Pra mim... Pros outros...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

De cavalos soltos



Cansei de conduzir as rédeas e soltei os cavalos. Existem abismos de ambos os lados, mas eu confio nos cavalos. São meu novo dogma. Os cavalos soltos. A sabedoria nasce mesmo é naquele que dela não faz questão. Percebi isso hoje, estampado na cara sofrida daquele agricultor. A compreensão plena, traduzida em palavras simples. Eu sorria por dentro com aquilo. Aquelas frases curtas, em português chulo, que diziam tudo o que eu conseguiria dizer em vários textos. Se é que eu conseguiria...
Mas voltando ao novo dogma, enfastiei. Não vou viver das migalhas sociais que querem que eu viva. Vou velejar. O amargo da frustração se torna o doce de percebê-la falsa. A frustração é social, não minha. E sendo imposta, a mim cabe aceitar ou não. E dentro de mim ela não cabe, como não me caibo dentro dela.
Estou avulso. Não tenho avesso, nem inverso. Tenho a mim. Não tenho que me entender, tenho que me aceitar. Tentando entender se traz sempre mais problemas. Isso não é regra geral. Nem comodismo. É humildade, para com certos assuntos. Liberdade de quaisquer niilismos. Mas espere antes de pensar (julgar). Somos homens e mulheres, sim, mas diferentes entre si. E muito. Isso que eu escrevo é pessoal, pode não servir pra você, talvez nem pra mim, ainda não sei. É um experimento novo. Um novo olhar, meu, e que recai sobre mim. Algo que se você fizer o mesmo, por ser você, já não será igual.
Hoje o céu está aberto, sol forte, mas tem umas nuvens escuras... Amanhã já não estará mais assim...

sábado, 18 de outubro de 2008

Ensaiadinho

Um beijinho,
imagina vai,

um beijinho...

tá vindo, tá vindo...

ops...desviei,

fui pro rosto,

mas n beijei...


Ainda não (pode rir...),
só senti o cheiro.

Hummmm...gostei do cheiro,

fui adiante...adiante,
na orelhinha,
segurei a mordidinha (agora não...),
só respirei...

Voltei um pouco,
olhei nos olhos,
olhei na boca,
mais de pertinho,
ensaiadinho...
Você riu, vermelhinha
eu parei....de ensair e............................................................beijinho.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Amanhecendo...



Destinos?

Sim.
Existem.
Mas são as escolhas,
que os fazem existir.

Acaso?

Não acredito em acaso,
e sim, no descaso,
que a gente tem.
Mania...de não dá valor.

Distância?

Não tem crédito...
Comigo não.
Somente um desafio,
como outro qualquer...

Desafios?

Desafios são ambíguos,
fazem a gente crescer,
ou parar de crescer.
É a gente quem decide...

Sobre nós?

Isso não é só meu.
Quer responder comigo?
Pois se "eu com você" vai existir,
é algo tão somente nosso...