sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Colírio do Campo (Felipe e Bianca)



(Bia ainda pensa consigo):

Se é um falso rito,
me dá um desmotivo,
que eu desacredito,
e a gente vai jantar...

(Lipe):

Em gargalhadas histéricas,
fingindo estar a vontade,
numa certeza camuflada,
em um falsete de improviso...

(...)

Mesa posta (mesa posta),
Comem rindo (artificialmente natural),
Vinho servido (bebem vinagre),
Diálogo solto (conversa fiada),
Embriaguez inesperada (fuga dos dois: premeditada),
Sobem pro quarto (rotina),
Luz acesa (corpos escuros),
Amor e sexo (vontade e sexo),
Movimentos (mecânica de corpos),
Gemidos, Palavrões e Elogios (ações de excitar),
Orgasmos (vertigens)
Entreolham-se (nojo)
Beijinho (gastura)
Boa noite (vai se foder)
Sono demorado (remorso)

E o vento que finge secar as lágrimas,
só as espalha,
por dentro. Colírio do campo,

minado...

4 comentários:

Tata disse...

Caramba, Rafa.

Gostei muitíssimo. E é tão real que chega a assustar.

Adorei, adorei. Parabéns pelo escrito.


:)

nina_n_roll disse...

rafa, esse foi fuderoso
vc te talento filho.. jah te disse mas tenho q encher tua bola de novo
kkkkkkkkkkkkkk
bjocas!
vanis

bossa_velha disse...

adorei a riqueza dos teus parênteses.

Fernando Rozano disse...

excelente, texto para além dos parênteses. meu abraço.