sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Bora pra REFESA...



Observava a dança dos besouros no poste de luz. E isso, além de que estava bonito, me rendeu um prefácio. Voltando-me cá pra baixo me encontro sentado na grama, de frente a antiga estação da cidade do Crato (REFESA), lugar reativado como novo "point" Cultural do Cariri, cultura bela, afrodisíaca de muitos, e que traz consigo o peso de um saco nas costas cheio de psudointelectuais (homo intelectus teatrus), do que gosto de chamar de Cú-tura disFARSAda do Cururu. O gramado aqui (tirando as formigas) é ótimo porque é mais alto em relação ao bar e à praça de encontro da galera. É daqui que gosto de observar. Alguns vêm simplesmente pra encher a cara, servir de palhaço pros outros, ou ficar rindo pra Lua (muito linda hoje, num palco aberto, sem figurantes). Isso, sem motivos como eles dizem, ou talvez pra esquecer de uma vida frustrada, de um caso mal resolvido, ou de si próprio...Outros vêm pra descontrair uma semana pesada, por não ter o que fazer, encontrar amigos, ou curtir um som(nesse grupo tem muita gente boa)...E ainda há uns poucos que acham tudo isso um tédio, mas sempre vêm, e são os primeiros a chegar, porque trabalham aqui.


E olha lá os pseudos, com suas roupas espalhafatosas a la "homem do sertão" (não me desfazendo do homem do sertão, mas é o alvo da caracterização deles), de mesa em mesa, num desfile sórdido, vomitando excrementos de fala dos seus discursos superficiais. É assim que reconheço um deles. Pelo vômito silábico. Basta você se permitir a uma rápida conversa, aprofundar o assunto deles, e eles se perdem...ou então você inventa qualquer informação, que não procede, de algum artista de vanguarda para escutar um: "Eu já sabia" ou "Eu conheço". Isso, quando não arriscam e complementam a mentira inventada na cara de pau. Normalmente, eles terminam a noite na companhia de alguma donzela, dessas "marias gasolinas" (originais e aditivadas) mal-amanhadas, que levam um desfile de moda ao "pé da letra" e se vestem da maneira mais ridícula que não ousarei descrever, pra não perder tinta nem papel...


Os cafuçus são o outro grupo que se destaca. Ontem, estiveram no show de "aviões do forró e calcinha preta", cantando e dançando super hits a la "chupa que é de uva" ou "senta que é de menta" (e eles sabem a letra toda, né brincadeira não!!), e hoje estão curtindo o bom e velho rock'n roll, ou se apresentando como fãs assíduos de pink floyd, mesmo que só saibam dublar "another brick in the wall, part 2", como nessas novelas mexicanas. Aí, "We don't need no education" vira "Wirow Wirow edukeychion". Quando a banda no palco se propõe a tocar algum cover, são os cafuçus os primeiros a gritar com tom de importância: "Beatles!!!"...


Vejamos agora a linda garota que a tantos inspira. Ela chegou. Os comentários sobre ela na Universidade e entre todos os grupos descritos e não descritos são fortes. Só de passar por entre as mesas num movimento "S" proposital, perpassam consigo os olhares até mesmo dos que estão acompanhados (e isso vai dar confusão mais tarde para alguns casais). Mas o ambiente é alternativo. Meio distante, duas lésbicas observam o alvo de maneira persuasiva, cochichando, quem sabe, alguma fantasia sexual a três. Ela é bonita mesmo. Seus cabelos são ondulados, escuros, mas de um brilho..., que brilha mesmo na noite, e ofusca o "ao redor".Corpo bem afeminado, cintura fina, quadril bem desenhado, pernas grossas. A face bem lisa, nariz afilado, olhos claros, não dá pra dizer daqui se verdes ou azuis. O sorriso é atraente e agradável. Vestindo uma blusa verde-limão com uma capri jeans e um...SAPATO VERMELHO DE BICO FINO COM SALTO(!?) é mesmo um belo outdoor ambulante de cabeça vazia cujas entrelinhas dizem: "Continuem me admirando, eu amo isso, e isso é a minha vida!".Ahhhhh...Eu tinha que observar essa garota tão "incrível", com suas qualidades únicas, pra ver o que me causava...E me causou um final pra isso, no momento em que te vi desfilando no início da noite. No momento quando te olhei, você, "linda", o próprio crepúsculo (vide sentido fig. da palavra) em pessoa. No momento quando, te olhando, me arrepiei, e senti uma queimação descendo no corpo...

Nada mais que a cachaça que descia...

E continuei na noite, no papel a que me propus hoje, sendo um e outro, até não ser mais nenhum, além de mim.



3 comentários:

Tata disse...

A cada dia tu escreve melhor. Que é isso, ein?
E quanta diversidade por aí, né?
É, cada um com seu cada qual. Mas dentre eles eu prefiro mesmo a lua, a grama e até as formiguinhas.

Beijoca.

Edna disse...

Plagiados pela nossa mente
Resquícios de nossas conversas
Ponto de pontos de vista...
Ai, ai adoro meu intelectualismo.
Adoro dizer que estou na universidade (mesmo que particular)
Meu cabelo escovado lhe diz exatamente quem eu sou
E o meu pircin, lhe deixa tão excitado que só pensa em ficar comigo essa noite.
Mas que pena! Você não tem carro, e o meu salto foi muito caro para gastar andando pelas ruas ao teu lado.
Sim, sei que todos me admiram. Estranho seria se isso não fosse verdade
Afinal tenho pernas grossas, bumbum grande, seios fartos e uma tatuagem discreta e provocativa.
Sou tão gostosa!Mas não me masturbo, pois a igreja condena.
No entanto transo com qualquer um que tenha carro, ou uma moto do tipo importada.
“Por que isso não é errado, minha mãe sempre disse ‘procure um pau que tenha sombra, minha filha” e é isso que faço... sempre leio coisas interessante do tipo como manter o bumbum durinho,ou como enlouquecer um homem.Já sei todos os clássicos da literatura brasileira e estrangeira,outro dia estava a ler ‘os sertões” de Machado de Assis,inclusive ate recomendo...


Rafa!

Adorei o texto na parte que me descreve... pena que você não tem carro!!!

Bejus!

motivo da rosa disse...

"...vomitando excrementos de fala dos seus discursos superficiais..."
Pude ver a cena!
=)