quarta-feira, 30 de julho de 2008

Canções de dentro da noite escura



No meio do caminho tinha um rio,
Tinha um rio no meio do caminho,

No meio do caminho...eu-rio,
Riacho de mim. Ri, acho, de mim.

Dos lugares que ri, ontem rios,
Passa um rio de lembranças,
Hoje rio de saudades...

E de repente a noite, sem arrebol. Escura.
Como um ser humano em aplasia eu penso:
Tem risos que te fazem viver mais, outros não.

Descosturar é também dar sentido novo,
Isso é autotrófico e fotossintetizante.

Tem lágrimas que só te incham os olhos. Outras não...



*Desenho da foto: "Rio de mim" - feito depois do texto

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Com cobertura de Morango



Certa menina veio,
sem receio,
num olhar, num sorriso,
em um dia frio com sol,
numa cidade qualquer...

Certa menina pousa sobre mim.
Pousa,
e não pesa.
Me deixa até mais leve,
na leveza de estar com ela...

Meu "querer ficar só" não me bastou, e te contornar é tão...diferente. Diferente...é a palavra de tudo o que tem sido,
e do que está sendo...

Certa menina ou Menina certa, sem pressa, o tempo vai dizer. Com as palavras, com os olhares. Gestos, ações e reações. Me torna mesmo feliz é a parte nossa que já existe,
e essa porta entreaberta. Possibilidades, e escolhas...

Não precisamos de prosa,
nem de poesia,
não precisamos de rimas,
só de ar,
porque somos nosso próprio vento,
assim como no meio da noite...amanhecemos.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dormência



Com Paixão pelo que se faz a gente descomplica. Desinibe. Exconjura. Claro, tem Amor lá no fundo, e jamais negarei o Amor. Tem que Ter. Tem que Ser. Mas é a paixão que Revira forte. Cria, Recria, e torna o Amor mais Intenso. Tão Intenso que extrapola...e alcança. Fazer-Sentir, Saber-Sentir. Depois disso sim, construimos o "Saber-Fazer". Percebe?

Somente a Semente não basta, se a gente não quebra a dormência...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

"Crato - Juazeiro" em Festa! (Expocrato)




(NO CRATO)

Branco e preto como extremos
Cinza e tons de cinza,
Cinzento de cidade,
Cinzeiro de pessoas,
Trazidas, Tragadas,
Estampadas, Estragadas,

M U S I C A D A S,

Com instrumental de ônibus, topics,
E distorção moto-rizada,
em samplers de gritos de cobrador e choro de criança,
cantado por barítonos publicitários,
num volume oscilante perturbador...

(MEIO)
Olhando pro verde escuro, cochilei...

(JUAZEIRO)
Acordei. Desci...

Branco e preto como extremos,
Cinza e tons de cinza,
Cinzento de cidade,
Cinzeiro vazio,
E só cinzas...
Por hoje.

[Making Of]
Atravessei a rua. Nem precisava. Minha casa é do mesmo lado. É que tem uma planta nascendo numa falha do asfalto, embora na verdade o asfalto todo seja a falha...Ahhh não importa. A planta ainda está lá. E o "making of" acaba sendo o que importa.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lua Crescente no Céu



Lua crescente pra todos,
Lua nova pra nós,
Nova, Nossa, e Cheia.

Rabiscos,
Reviram,

Por dentro


Esboçam,
Escritos,

nos dois,

Lua crescente pra todos,
Lua nova pra nós,
Nossa, Nova, Lua, é
Cheia...

Algumas compreensões...



É verdade que muitos enxergam seus erros. Mas enxergar erro não implica em mudança, ou ao menos em querer mudar. Querer mudar exige um tanto de Perseverança e Paciência, de mãos dadas, num propósito.

Me disseram um dia que Humildade era fraqueza, era medo, era subserviência. Pensei sobre. E não penso assim. A Humildade não deve ser compreendida como "ser passivo" nas situações, e muito menos como sinônimo de fraqueza. Pelo contrário, a Humildade é virtude de Fortaleza. Ser Humilde é reconhecer-se certo quando certo e reconhecer-se errado quando errado, e nesse caso, abdicar das convicções erradas, nem que pra isso tenhamos que renovar nossos próprios conceitos.

A palavra Esperança tem um mistério. Eu acredito que o mistério da palavra esperança está em ser, essencialmente, uma palavra da Alma. Por isso é força, por isso é cura, e por isso é Esperança.

As compreensões vêm da forma necessária para que compreendamos. E só quando se é capaz de discernir de dentro pra fora, se é capaz, verdadeiramente, de discernir.

Ahhh...antes que me perguntem...não sou espírita. Nem tenho uma religião. Só acredito em Deus e tenho uma Alma, que vez por outra fala ao corpo...
e eu escuto.



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Tudo ao mesmo tempo agora (ou, Muito surpreso com tudo isso)



Do cheiro que desconheço,
só guardo um pouco do riso,
um eco da voz,
e a intersecção de olhares...
no(s) momento(s) de paralelo(s),

"Simples,
mas complexo".
Aquele brilho no olhar,
que olha, e brilha,
e brilha, de encantar...

Anjos e borboletas podem voar,
e podem voar alto...Mas podem voar juntos?
E fazer reticências nas estrelas, podem?
Tem perguntas que você sozinho não pode responder,
Mas sabe das jujubas?

O doce que eu quero só a verde tem!

E através
---------dos versos
-------------------atravesso
----------------------------do avesso
-------------------------------------de mim
-------------------------------------------para ver
---------------------------------------------------você...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

De um pra outro, do outro pra um, e de dentro dos dois.



O amor anda de mãos dadas,
E de mãos dadas faz desandar em amor.

Ousa,
Supera,
Degela
.

Não é o beijo, não é o toque, não é a chama.

É amor.

Esses coadjuvantes se esgotam,
E o amor como ator principal sobrevive.

E faz sobreviver...

Se temos uma alma no corpo,
é como se o amor fosse uma alma de todo resto.

O sentir,
de todos,
os sentires,


E do amor...não quero um que não seja de nós dois.

Nosso.

domingo, 13 de julho de 2008

Estações



Fui mesmo porque eu quis, e porque poderia ter sido.
Tentei. E não foi forçando, foi vivendo mesmo.
Gostei de estar, e os bons momentos estão bem guardados.
Pensei...
Não se escolhe o que se sente. Mas eu quis descobrir.
Porque a descoberta, qualquer que fosse, valeria a pena.
Descobri...
Ainda não foi dessa vez que saí das minhas aspas.
Não por culpa tua. É o meu sentir. E não há culpados.



Hoje acordei com saudades de um tempo que ainda quero conquistar,
E "Nada vai apagar, o cair do sol, nos braços do mar...
Nada vai apagar".




*Citação: Banda Criolina.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Uma das várias e comuns...



Liguei o som. Já escutei Feist (só "i feel it all" duas vezes), e Radiohead (The bands completo). Passei pra um Elis ao vivo (saudades do Brasil), mas só queria mesmo escutar "as aparências enganam" e segui, de Andréia Dias. Esse eu escutei todo, sem pular faixa e prestando bem atenção. Adoro Andréia Dias (em Dias e Noites). A base de Violeta de Outono quase, mas quase que consigo dormir. Mas não dormi. O CD acabou, levantei e pus Frank Zappa and the Mothers. Me deu certa impaciência e desliguei o som. Pensei comigo que deveria ter colocado Gong, ou Pink Floyd (o "the division bell"). Mas não o fiz, e já desliguei o som.
Peguei a máquina fotográfica. Esgotei-me em fotos. De um lado pra outro, sem flash, com flash, brincando de descolorir-me, para quem sabe, amanhecer em cores...
Liguei o PC, postei.
Vou dormir. Vou?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cactus de Vidro



Vivendo no "sex appeal" do inorgânico,
me sinto deslocado.
E me aloco em mim, saindo de vez em quando,
meio fechado, entreaberto por segurança,
meio aberto, flexível por natureza.

Não há limites para a exploração do fútil. Até o "não fútil" é tema do fútil.
Armadilhas e disfarces mais elaborados.
DisFARSAdo cultural,
nas correntes e contra-correntes,
num caldeirão denso e vivo. Sem bruxa.

Flores de cactus também são belas,
mas esses cactus são de vidro!
("Sex appeal" do inorgãnico)
O mundo precisa de menos corpos e mais alma. E eu de você.

Pó Químico



Hidrogênio e Carbono num Hidrocarboneto. Em dupla ligação de relação recíproca, tinham um ao outro em cadeia fechada.


Derivados de cicloalqueno e nada mais, desfizeram-se.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Eu em cores



De um azul despercebido,
por entre verdes contorcidos,
em pontos rubros faiscantes,

Sob o amarelo dilatado que sorri fosforescente,
um cinza fosco de sentidos só meus,
e branco desfocado por preencher,

Um trechinho de incolor, pois incolor também é cor.
Cor que reflete cor,
por outro ponto de vista.

Misturo todas. Separo. Experimento.
Furto a cor. Furta-cor. Com e sem pincel.
Recrio. Descubro. E sigo assim...

sem colocar água nas minhas tintas.

Helter Skelter



As reviravoltas do céu nos movimentam por linhas tortas,
de círculos e paralelepípedos,
ou de apenas linhas tortas...
De formas,
Disformes...

E faz pensar...

É engraçado quando é questão de tempo. A gente sabe. Só não se sabe quanto tempo.
E não era nada disso de Amar. Era ímã de geladeira. Caiu. Descolou. Quebrou. Rompendo o magnetismo não fixa mais.
Não insiste em colar. Não uso cola. Odeio remendos e jeitinhos. E fica feio, concorda?

Da janela, olhando pro céu...(sem te ver em estrelas)

E perceber a fraude,
um processo lento,
fraudulento,
de pensar,
mas não amar...

terça-feira, 8 de julho de 2008

In (flames)



A menina em chamas,
chama(s),
por dias melhores...

As chamas da menina,
num enlatado ardente,
armadura de fogo...

Que queima do que vem de fora,
o que não presta, a prestação.
Mas nem sempre funciona...

Às vezes as brasas se confundem com cinzas,
e cinzas em brasas
ainda queimam...

A menina em chamas, chama
e quem mais pensa saber sobre,
é quem menos conhece...

José(s) Maria(s) de segunda a sexta (das 07:00 às 22:00)



Acorda, boceja, escova os dentes. Toma banho. Vai comer alguma coisa, às vezes toma só leite mesmo. Com café. Ou só café. Bebe água.
Escova os dentes de novo. Vai trabalhar. Em média fuma. Almoça na rua.
Às vezes um lanche. Volta. Banho. Come vendo TV, ou vê TV comendo. Bebe água.
Ri ou chora. Deita e Dorme.

É isso. Outros detalhes são supérfluos e atrapalham a concentração. Odeia coisas complicadas...
E o mundo cada vez mais cheio,
De cabeças pneumáticas e carne de terceira.

Mas Universo Paralelo não importa, importa?

domingo, 6 de julho de 2008

A quem se sentir atingido (Tinha 17...e escutava muito Raul)


Chega de religião, chega de lógica, chega de regras, e de estilo.
Chega de repetição, chega de limites, chega de rotina, chega de dizer chega.

Sua igreja não me interessa, sua lógica não me interessa, suas regras guarde pra você, seu estilo oculta você.Vive na repetição, nos limites de sua rotina, e nunca para pra dizer chega, chega de dizer chega. E com toda sua grandiosidade autoatribuida, não passa de mais um neo-ser, humano, em fase de experimentação e adequação ao sistema vigente no contexto mundial moderno (Blééhh). Mesmo assim se diz levar uma vida alternativa, apesar de sempre pegar o mesmo trem, a mesma estrada todos os dias...E nunca se dar conta disso.

Liberte-se, olhe ao seu redor e perceba a falsidade desse seu orgulho interior que a cada dia te arranca mais um pedaço e te consome lentamente. Entre neste vagão descarrilhado, sem rumo, onde o destino é sempre além do já alcançado. Ignore os dogmas que te foram impostos e crie suas próprias teses a partir de sua essência. Faça-se seu mundo, faça-se seu centro, faça-se sua meta e refaça você a partir de você próprio.


*Bom...esse escrito é antigo e li algo no blog da Aline que me fez revirar meus borrões e rascunhos atrás dele...achei, ri um tanto relendo...e taí um trechinho da minha adolescência. :-)