segunda-feira, 31 de março de 2008

Crônica(o)




Noite passada. Fiz uma entrelinha, sublinhei, retirei dos parênteses, deixei em branco, e esperei...qualquer escrito, que percolasse à madrugada, qualquer desenho, que na cabeça me pintasse, talvez um rabisco,de sentido só meu, ou sem sentido. Esperei aquela confluência de movimentos, orgasmatrônicos, que me precedem o sono, e anunciam que a noite foi vivida, não apenas passada. É como estar lendo uma página de uma obra. A última palavra te justifica, e te remete à próxima, às vezes com voracidade. É isso a noite vivida. É isso, comparado com você virar a página sem ler. Não há ânimo pra continuar, porque não há o que continuar. É isso a noite passada. A noite que passou por mim. Ou eu, que passei pela noite. Não importa. Não mesmo. O que fez diferença aqui foi o "passar" substituindo o "viver", numa noite em que encarei o espelho e me senti o reflexo.

Lampadomancia



De lapso em lapso, nesta vida, vejo,
desta vida, tudo, tudo é passagem.
Como por alguns passarei, alguns passarão por mim.
Pessoas, coisas e tempos, dos quais, nada se leva.
Daqui, comigo, vou-me apenas eu, eu sei...mas eu aceito?
Não. Não aceito. Audacioso e atrevido, invento outros ventos,
que não me sejam tão...monásticos(?). É. Monásticos.
Invento, não pelas coisas, ou pelos tempos,
mas pelas pessoas que fazem os tempos,
e é claro, por mim, senão não haveria razão.
E se quisermos, mutuamente, nos levar dessa vida,
nós e nossos tempos, pelo menos havemos de tentar.
E quem sou eu pra te tentar? Não sei, mas tento,
se vejo que você quer ser tentada.
"Coração que conversa com a razão perde um pouco da sua cor".
Mas, nessa conversa, a razão fica um pouco desmiolada.
E eu gosto disso.
Assim, permaneço insensato,
onírico, e novamente,
onírico...


*citação por Helena Oliveira.

sábado, 29 de março de 2008

Lápis de cor (ou, o título não faz diferença)



Lápis de cores diversas,
tão diversas, quanto inúteis
quando é de música que eu preciso,
não de cores,
não hoje...

Penso no teu jeito de ser, inesperado
teu sorriso largo, e desandado
bela pessoa, que enquanto penso
embora eu fique,
eu deixe ir...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Paradoxo



Não digo contradição,
digo paradoxo, porque é aparente,
talvez irreal, sequer exista,
esse desconchavo de ser humano

Verdade...se o desatino meu,
de frente ao espelho,
não trespassar nada além,
de (es)mero reflexo...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Incompatíveis



Você me diz:
"Se o problema de gostar é a distância, então blá blá blá..."
Você me diz:
"Se o problema de gostar é a pessoa, então blá blá blá..."
Eu te digo:
"O problema de gostar...é o gostar"

E estamos conversados.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Se te leio...



Se te leio
é porque me levas,
ou me deixas levar,
nos teus versos,
por vezes, palavras deslocadas,
que aloco em mim,
durante uns minutos em que leio,
e tantos outros em que penso,
e às vezes, repenso...
e é quando repenso
que te inspiro,
e tu me inspiras...

Gripe



Simples é a melancolia do céu
melancolia sem doença,
sem premissas,

Somos nós que vemos a chuva chorar,
enquanto ela apenas cai,
e passa, e volta, e cai

Alguns dias são cinzas, sim
enfermos, não
cinzas, sim

Apenas,
somos nós,
que estamos gripados...

terça-feira, 25 de março de 2008

Querer-te



Talvez se te quisesse um pouco menos
poderia, talvez, parar de querer-te
para enfim, te querer novamente,
e querer-te de outra forma...

a minha falha é o "talvez".

terça-feira, 18 de março de 2008

Quem é você?



És espontânea...
e por ser espontânea e humana,
és imprevisível, como uma pessoa normal,

Pois tudo que é humano é dúbio,
antagônico, contraditório, confuso, inacabado, etecéteras,
e, fora isso, não somos nada demais...

terça-feira, 11 de março de 2008

des regards perdus (dos olhares perdidos)


Desatados num ato
desconfortável
de desânimo

des regards perdus

des percebidos
des encontrados
des apontados

des ejos...

domingo, 9 de março de 2008



Hoje é um dia estranho...
ontem choveu aqui,
choveu muito,
mas a chuva não lavou...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Surpresas



Gosto de surpresas
mas fiquei surpreso,
(eu confesso)
com o que andei aprontando...

Mas não muito surpreso
estou mesmo feliz,
(eu confesso)
simplesmente pelo que já veio...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Vento



O vento traz...
e às vezes quer levar,
leve, leva-nos

o vento leva-nos
deixemos levar,
ou deixemos nos levar?

De mãos dadas,
de mãos soltas,
sem mãos...

o vento sempre traz,
o vento sempre leva,
o vento sempre sopra,

E às vezes deixa-nos escolher
o que trazer, o que levar,
o que soprar...

mas ele não me deixa,
não me deixa escolher,
não apenas eu...