quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Insistente



Voltar ao passado
já não posso mais
de caso pensado
prefiro esperar
na beira do cais
a maré baixar

Simples é discernir
na frieza de um momento
e por difícil de sentir
penso sem emoção
tal qual dia cinzento
me valendo da razão

Tentas me enganar
velho amigo do peito
mas sou eu quem vai provar
nem que enlouqueça como for
que há tempos não há mais jeito
que há tempos não é amor...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Se eu fosse
e tu fosses
nós seríamos

Do contrário
deu no que deu...

Até Quand(t)o? (Música para Antunes)




Até quando posso
Até quando passa
Até quando gira
Até quando faça

Até quando canta
Até quando conto
Até quando vira
Até quando tanto

Até quanto posso
passa quanto até         ReFRãO(?) 1
Até quanto vira
tanto quanto até

Até quando barra
Até quando borro
Até quando pira
Até quando ferra

Até quando boto
Até quando bata
Até quando tiro
Até quando cata

Até quanto boto
bata quanto até          ReFRãO(?) 2
Até quanto pira
ferra quanto até

Até quanto posso
Até quanto vira
Até quanto boto
Até quanto pira, até quanto pira, até quanto pira

passa quanto até
tanto quanto até
bata quanto até
ferra quanto até, ferra quanto até, ferra quanto até

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Resquícios incessantes
constâncias inconstantes
cadências decadentes
de ruínas que não se apreciam
de silêncios que não silenciam

Assim, mais uma vez, volto a pensar
como de novo, e de novo, e de novo...
Te falo de amores mal vividos
não porque os vivestes mal
mas porque os vivestes só

Dizer por dizer, muito fácil
dizer por sentir, muito difícil
percebes onde reside a diferença?

Ahh...esses teus amores mal vividos
deixa eu te mostrar um terço do que é o amor
pra só depois...você me dizer se o amor existe...
Essas tuas lágrimas...
nem quando se misturam a água da chuva
me fazem desaperceber

Que rosto mais doce
de traços sutis
embora nem fosse
de todo feliz

Insegura
entre linhas
e segura
nas entrelinhas
de suas próprias dúvidas
Como os homens que são portões de aço
onde alguns têm tanta ferrugem
que não há mais aço

há os escritos que são poéticos
e que por se falarem tão poéticos
jamais serão poesias

sábado, 24 de novembro de 2007

Previsão



Anoiteci
e se ao teu lado amanheci
anoitecemos
a noite que tecemos

Não sei de quem falo
só sei de que falo
de sensações que me deram por agora
do que talvez me venha por outrora

de algo especial
de uma noite diferente
de quem vive o que se sente
de quem sente sem igual

Ou do que nem aconteça
e deu vontade de escrever
para rir depois que ler
e para que o escrito permaneça...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Para Elandia...



Por vezes você muda
"muda muito"
muda sem mudar
sem deixar de ser você

Assim como o dia muda
e não deixa de ser dia
você muda
e não deixa de ser flor...

Transcrito do papel (Confissões)



Quero sim encontrar alguém mais especial
do que os especiais que já andei encontrando
mas tem que ser vice-versa, e um tanto mais...

Quero ser professor da bendita URCA
mas, tem um detalhe básico
que só dê certo se for pra dar aula...

Quero ser mais amigo de quem já sou
me fazer mais presente, estar mais disposto
e viver mais essas histórias que não têm preço

Quanto aos inimigos, não os tenho assim
então podem ficar com mais ódio
porque não é recíproco (de coração)

Preciso aprender que não se pode ajudar a todos
e que, as vezes, as pessoas precisam dos problemas
isso eu vou demorar pra entender, mas...

Quero ser como o ar
um instável em harmonia
até quando parece não ser...

Quero filho(s) também
e faltar, de última hora, um dia importante no trabalho
pra ir acampar com eles num lugar a definir (em votação)

Preciso aprender a ser paciente (ahhh como preciso)
menos impulsivo e mais pensante em uns momentos,
menos pensante e mais impulsivo em outros



Quero tomar banho de chuva, correr na praia
andar sem ter que chegar, sorrir sem porquê
mudar de idéia, abraçar, beijar, fazer carinho
viajar de surpresa, viajar sem surpresa,
brincar, brincar e brincar mais um pouco,
ser desastrado, com perfeição e estilo
dormir sem sonhar, dormir e sonhar, sonhar acordado
contemplar, transpor, voltar, repor
cultivar o que há de bom, colher os frutos, replantar as sementes
viver sem sentido algum
que não seja o de ser feliz...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

E o mundo...



Até quando guerras, até quando dor
desnecessários
o frio que corta, o calor que fere
humano, demasiadamente humano

Valores em superfície, concretos demais
insignificantes
alimentam o mundo das angústias
secam a alma

Não se enxerga mais além
não se procura algo mais
tudo pára, tudo se consome
onde terminam os arranhas céus

Atordoada em seus desejos vis
de vitrine que reflete lama
de beleza que não guarda nada
puramente e tão somente casca de humanidade

A inocência perdida tão cedo
a insegurança crescente nos medos
levando a si próprio ao engano
engana também os outros

E o que sente guarda, e quando não, finge
fingindo viver, cria um jogo
mas um jogo bizarro, onde cedo ou tarde
o final é a frustração

São indivíduos de hoje em dia
unidos numa trama macabra
apodrecendo todos juntos numa realidade
socialmente constituida

Não há choro que convença
nem olhares que reflitam
e um riso que acalme
e um bem que vença o mal

Mal humano, demasiadamente humano
fazer do sagrado, o profano
do amargo, o doce
e de si próprio, a causa mortis

Mas ainda assim a mantenho guardada
junto como meus sonhos de criança
talvez o fim dessa emboscada
a simples luz da esperança...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Prefácio (?)



Olhares desencontrados
que por um acaso se encontram
para depois fugirem...dos olhares
de um para o outro

Olhares desencontrados
mas nem tão desencontrados agora
que vez por outra já marcam um encontro...de olhares
de um para o outro

E os olhares inconstantes nessa constância
fazem o tempo parar, fazem o beijo vir
e o tempo continuar parado
para aos poucos passar novamente...no movimento de um abraço

Bela construção simultânea
dos que se abraçam e se envolvem
dos que estão ali, não por estar
mas pra fazer de um momento simples...deveras especial

E nos rostos sorrisos desconcertantes de uma despedida
dos que parecem não ter entendido nada,
mas que continuam sorrindo
porque sabem que não entender é fazer diferente

E tudo termina onde começou
na percepção da rua vazia,
da noite correndo, do vento soprando
dos sons quebrando o silêncio...

...que vez por outra insiste em ressuscitar...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Socialismo=Capitalismo=Comunismo=Etecéteras




Ainda faltaram alguns outros, 
mas eles são todos iguais...
o pior é que tem deles
que ainda têm fama de heróis
Para os que aí estão
e para os que, porventura, não couberam na foto
o texto é único:

"Atrás da mascára do ditador
Eu sei que há um homem danificado.
Dentro do homem há um garotinho ametrontado
Com brinquedos assustadores
Com quem alguém vai fazer um pacto.
Em ambos os lados existe resistência
Para a idéia de mudar.
Eventualmente há um momento
Quando uma à uma as metralhadoras zen caem silenciosamente.
E então todas as crianças sobreviventes podem ser salvas
Para se tornarem pequenos bons soldados.
Oh, Guerreiro, Guerreiro
Por quê você só quer matar e matar e matar
As mulheres e as crianças?!
As suas mães e suas filhas?!
Os seus ancestrais?!
Não existe essa coisa de eles e nós e eles e nós...
Apenas outras versões de nós."

Gong - Damaged Man