sábado, 13 de outubro de 2007

Além...


Entregue a um luar imaginário
vítima do desconhecido destino
relativamente só
na companhia de si

Preso nas paredes abstratas da mente
temporariamente preso
transpôr é uma questão de tempo
resta saber se há tempo

Fixo numa mobilidade limitada
sistematicamente limitada
num envoltório transparente inexistente
nos braços de uma frieza mórbida latejante

Cantando uma canção muda
que segue um coração cego
pranteia o silêncio gritante
assobia a agonia de uma calma intermitente

Na solidez de um profundo abismo
se liquefaz o espírito enfraquecido
alimento para a grandiosa exuberância abissal
desesperadamente aliviante é a espera do fim...

Olhos corroídos pela intensa luz
que ofuscou-se e fez nasacente das trevas
o que é a dor senão minúscula
frente a um estado indizível de aflição

Não há deuses, nem sagrado
não há demônios, nem profano
vida, morte, lucidez e loucura
apenas oscilam na certeza única da dúvida...

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