quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Palha Aço



Alegre palhaço triste
Tua lucidez já se fora em febre
Triste palhaço alegre
Por que nessa vida insistes?

O palhaço que ri desvairado
É o mesmo que segue se esvaindo
Toda a vida ao longo de um fio fino
Suportando vários “seus” lado a lado

Que importa a alegria do disfarce
Que importa o “ao redor do picadeiro”
Se sempre acaba por passar mesmo janeiro
Se sempre acaba por negar a própria face

Havia de se resolver com uma canção
Confessa o palhaço, cego, canta torto
A canção emudeceu no coração
Muda canção, mas não muda o desconforto

A angústia se alarga no espelho
Sombrio palhaço vazio
Na janela já não há tanto vermelho
Sombrio palhaço vadio

Ri, desvairado, o palhaço
No espetáculo vê o público sorrindo
Dança ao som desse compasso
Para mais tarde chorar em desatino

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